Maringá duplica produção de mudas
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de janeiro de 1997
Marcos Zanatta 
Edson GuittiAtendimentoA meta é estimular a produção de mudas para atender a regiãoO viveiro da Prefeitura de Maringá vai duplicar a produção de mudas de café e pupunha, espécie de palmito que já é explorado comercialmente em algumas regiões do Paraná. A meta da Secretaria de Agricultura do município, desmembrada este ano da pasta de Indústria e Comércio, é chegar a 300 mil mudas de café e 18 mil de pupunha, atendendo também produtores da região. Nosso objetivo é incentivar as duas culturas também nos municípios pequenos, que não tem estrutura para montar um viveiro, explica o secretário Jaime Dallagnol.
As mudas de café são das variedades Mundo Novo, Iapar 59, Icatu e Catuaí, todas com bom rendimento na região. Dallagnol lembra que Maringá não é um município tradicional na cafeicultura, e a idéia é incentivar pequenas áreas de plantio adensado, como diversificação. Das 300 mil mudas que serão produzidas a partir deste ano, a intenção da Secretaria é colocar pelo menos 50% em outros municípios.
QualidadeAs sementes de café para a produção de mudas, explica Dallagnol, são provenientes do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Procuramos utilizar material de qualidade, que garanta resultados. Ele diz ainda que as mudas do viveiro da Prefeitura de Maringá são muito procuradas devido aos cuidados com a sanidade. Mantemos um acompanhamento técnico da produção e a partir de agora vamos fazer também um trabalho de campo, junto com os órgãos de extensão rural, afirma.
As mudas de pupunha, da espécie sem espinhos, também têm uma boa procura. Dallagnol revela que a cultura foi introduzida inicialmente na região de arenito, com bons resultados. No solo roxo, os experimentos mostram que a pupunha alcança uma longevidade superior, prolongando a produção. Em média, a pupunha apresenta um rendimento de 1.800 a 2.200 quilos de palmito por hectare, dependendo do espaçamento de plantio. Com o preço próximo ao palmito, a cultura é vantajosa.
O palmito obtido da pupunha, diz ele, é de excelente aceitação. Em muitos casos é até melhor que alguns palmitos encontrados no mercado, garante. A intenção em relação a essa cultura é alcançar uma área que viabilize a industrialização, agregando valores e garantindo uma renda maior ao produtor. As primeiras nove mil mudas de pupunha, produzidas no Viveiro Municipal de Maringá, já estão prontas para o plantio no campo. Com uma produção maior, Dallagnol acredita que a cultura ganhe força em toda região.
Outro atrativo das mudas do viveiro municipal são os preços. Cada mil mudas de café enxertado custa R$ 200 para o produtor. O café sem enxerto sai por R$ 80 o milheiro, e cada muda de pupunha custa R$ 0,70. Em média o preço representa metade do valor praticado pelo mercado, com a garantia de origem da muda, observa Dallagnol.
Material
de qualidade
que produz
bom resultado
EmnpregosEle explica que o café e a pupunha, assim como outras culturas que também serão incentivadas, geram emprego no campo, evitando o êxodo rural. Vamos montar projetos com outras entidades, para segurar o homem no campo e evitar os problemas de desemprego nas cidades, afirma. A Secretaria de Agricultura do município pretende atuar em conjunto com a Emater, Secretaria de Agricultura do Estado, cooperativas e com a Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Segundo Dallagnol, hoje a UEM possui uma estrutura invejável na área de Ciências Agrárias. Os cursos de Agronomia, Zootecnia e Veterinária têm profissionais, laboratórios e equipamentos para desenvolver projetos em várias áreas. Faltava uma parceria como a que pretendemos fazer, unindo os órgãos de extensão do Estado, a Prefeitura, cooperativas e a Universidade, para beneficiar o produtor rural, afirma.
O primeiro passo, segundo Dallagnol, será o aumento da produção de mudas. A Secretaria está remanejando pessoal de outras áreas para o viveiro, que apesar de estar dentro da cidade possui estrutura física. Hoje, o viveiro da Prefeitura é auto-suficiente, e com o aumento da produção deve dar um retorno financeiro maior, garantindo a introdução de outras culturas.
O projeto inicial com café e pupunha deve ser levado a todos os municípios interessados. A Secretaria está cadastrando os produtores que pretendem comprar mudas do viveiro. A prioridade são os agricultores de Maringá, mas Dallagnol garante que vai sobrar mudas para todos. Temos que integrar o máximo de municípios nos projetos, que visam a região como um todo, afirma. Ele acredita que através da união dos órgãos que trabalham com a agropecuária e os municípios da região, será possível melhorar as condições de muitas cidades.


