Os viticultores de Marialva (17 km a leste de Maringá) já colheram as primeiras uvas sem sementes do Paraná. As variedades BRS Clara e BRS Linda (uvas brancas) e BRS Morena (uvas tintas) foram apresentadas para cerca de 500 convidados na Associação Cultural Esportiva Marialvense, na segunda-feira passada, 29 de novembro. O evento marcou o início da colheita da uva fina no Paraná.
  A produção de uvas sem semente no Paraná foi possível graças a integração da Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves (RS), com a Associação Norte Paranaense em Estudos de Fruticultura (ANPEF) e a Emater. Segundo Umberto Almeida Camargo, pesquisador em melhoramento genético da Embrapa, as variedades foram lançadas nacionalmente no ano passado, em Jales (SP), depois de sete anos de pesquisa.
  Dentre as vantagens das frutas apirênicas (sem sementes), o pesquisador destaca o ciclo precoce, que proporciona redução dos custos de produção. ‘‘Estas variedades dispensam desbaste com tesoura e raleação com pente’’, completou Camargo. Segundo ele, o cultivo em Marialva ainda necessita de ajustes nos tratos culturais, logística, definição do padrão de qualidade e melhoria nos procedimentos de pós-colheita. Características da uva, como a crocância da polpa e a doçura, reforçam a aceitação da fruta junto aos consumidores.
  De acordo com o pesquisador, as uvas sem sementes são comercializadas, em média, a US$ 1,2/quilo. ‘‘No Vale do São Francisco, onde são cultivados 2 mil hectares (ha), a comercialização tem atingido preços que variam entre US$ 3 e US$ 5 pela total falta de concorrência mundial’’, destacou.
  Atualmente, o Paraná cultiva 6 mil ha de uvas finas de mesa e rústicas. Marialva é a capital paranaense da uva fina de mesa, com uma produtividade anual média de 30 toneladas/ha. A produção envolve 750 viticultores e mais de mil hectares.
  Entusiasmado com a perspectiva do plantio de uvas sem sementes no município, o extensionista Sérgio Luiz Zafalon, da Emater, informou que a área destinada à viticultura deverá ser duplicada nos próximos anos. ‘‘A renovação das videiras com uvas apirênicas poderá gerar mais quatro empregos por hectare, sem perda da atual área ocupada pela uva fina de mesa’’, calculou. Zafalon acredita que, com o crescimento da área, a produção de Marialva conquiste o mercado internacional em cinco anos.

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