Há 28 anos na atividade, o produtor Luiz Fernando Cunha Filho afirma que a cadeia produtiva necessita de ser organizada, sobretudo no que se refere à comercialização. "Se houvesse uma aliança mercadológica entre os produtores, viabilizaria o comércio de carne de ovinos", destaca. Para Cunha Filho, o setor cooperativista tem feito um bom trabalho no Paraná.
O criador, que também é diretor técnico da Associação dos Criadores de Ovinos do Norte do Paraná (Ovinoforte), explica que o Estado precisa de um frigorífico voltado exclusivamente para o abate de ovinos. "Mas o frigorífico ainda é um sonho", completa o produtor. Segundo ele, com o investimento em indústria, o Paraná terá potencial para atender toda a demanda do Estado e poderá até exportar.
Cunha Filho conta que os produtores de ovinos de corte sempre foram independentes, com pequena produção e comercialização informal. No entanto, salienta o diretor, esse comportamento tem mudado para aqueles produtores que querem crescer na atividade. "A nova cultura dos criadores é de se juntar", enfatiza o pecuarista.
Além do crescimento da demanda por esse tipo de produto, a elevação do valor agregado da carne de cordeiro, encontrada nos melhores restaurantes e churrascarias, tem ajudado a fomentar o aumento da remuneração do produtor. "Essa é uma atividade que proporciona uma boa lucratividade para o criador", assinala Cunha Filho.
O produtor possui 86 animais PO (Puro de Origem) para reprodução e 300 matrizes. Por ano, são abatidos entre 120 e 130 animais. Ele explica que a margem de lucro do ovinocultor é maior se comparada à produção de bovinos, devido ao ciclo mais rápido. "O ciclo de um ovino é de dez meses e de um bovino, três anos", compara.
Porém, Cunha Filho revela que os cuidados com esses animais são maiores, já que eles são mais sensíveis em comparação aos bovinos. "O uso de vermífugos e de vacina contra a clostridiose são obrigações que o produtor não pode deixar de cumprir", finaliza o criador. (R.M.)

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