Dia de campo realizado em Marechal Cândido Rondon (90km a oeste de Cascavel) avaliou diversas máquinas semeadoras de plantio direto, mostrando o desempenho dos equipamentos utilizados tanto para o plantio de culturas de verão quanto de culturas de inverno. O evento foi promovido pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Itaipu Binacional, no dia 5, na propriedade do agricultor Paulo Rohr.
Segundo o pesquisador do Iapar, Ruy Casão Junior, este trabalho faz parte do projeto para viabilizar o plantio direto com qualidade, isto é, com rotação de culturas. ‘‘Até pouco tempo atrás, os produtores não dispunham de máquinas que pudessem fazer com eficiência o plantio direto. Hoje temos as multisemadoras que trabalham tanto com as sementes graúdas (milho e soja) quanto sementes miúdas (adubso verdes)’’.
QualidadeOs organizadores do dia de campo estimam que aproximadamente 700 produtores participaram do evento. ‘‘Cadastramos um total de 550 produtores, tanto do Paraná com de outros Estados, que vieram conhecer as novas máquinas’’, informou Casão.
Para mostrar o desempenho das semeadoras, o Iapar reuniu 10 modelos de máquinas que foram apresentadas na primeira etapa dos trabalhos. Todas as máquinas efetuaram o plantio no período de 13 e 16 de março, para que os resultados fossem apresentados aos produtores durante o evento. Entre os participantes, estavam sete dos mais importantes fabricantes de semeadoras do País, como Imasa, Jumil, Fankhauser e Marchesan.
Foram avaliadas máquinas de última geração, e também protótipos, visando atender as necessidades do plantio direto com qualidade na região dos municípios próximos ao Lago de Itaipu. Ao todo foram analisados mais de 60 parâmetros em cada máquina, para que cada produtor pudesse constatar qual se adequava mais a sua forma de cultivo.
MúltiplasUma das grandes novidades apresentadas foram as semeadoras de fluxo contínuo, consideradas essenciais para a semeadura de culturas de inverno, como trigo e adubos verdes. São estas plantas que viabilizam a rotação de culturas, dando sustentabilidade ao sistema de plantio direto. Durante os testes foi semeada uma mistura de sementes de adubos verdes constituída de aveia preta, nabo pivotante e ervilha comum, plantas com diferentes características que juntas promovem a cobertura vegetal e evitam a erosão da terra.
O pesquisador Ruy Casão Junior explica que entre as máquinas apresentadas, quatro eram múltiplas, isto significa que trabalham como plantadeiras e semeadeiras. Esta característica é importante principalmente para os produtores com menor capital, pois não precisam de duas máquinas para semear as culturas de verão e inverno.
Resolvendo problemasRuy Casão garante que as máquinas conseguiram alcançar bons níveis de funcionamento; apenas alguns parâmetros não foram satisfatórios, situação que as empresas comprometeram-se a resolver. ‘‘As indústrias já estão em um processo de transformação das máquinas, algumas nos comunicaram que estão resolvendo problemas apresentados. É muito importante ressaltar a coragem das empresas em expor seus produtos aos olhos do público’’, afirma.
O pesquisador do Iapar explica que uma das funções dos testes de mecanização é ofertar máquinas com custo compatível à capacidade de pagamento dos diferentes tipos de produtores, com apropriados rendimentos operacionais e exigências de potência compatíveis aos tratores disponíveis na região. ‘‘Para viabilizar o sistema de plantio direto com qualidade, as semeadoras devem distribuir bem as sementes e fertilizantes sem mobilizar excessivamente o solo e manter a cobertura vegetal morta’’, ressalta. Segundo Casão, os preços destas máquinas variam de R$ 8 mil a R$ 30 mil.
O superintendente de Meio Ambiente da Itaipu Binacional, João Carlos Zehnpfennig, esclarece que o objetivo da empresa é proporcionar aos produtores uma alternativa ambiental correta, com a garantia de preservação do Lago e geração de maiores lucros. A grande preocupação da Itaipu é com a erosão do solo, que pode causar o assoreamento do Lago e prejudicar a produção de energia elétrica.
O produtor rural Ernesto Schneider, de Missal, conta que todos os agricultores da região estão surpresos com os resultados obtidos na prática do plantio direto com qualidade, tanto em relação a produção como na rotatividade de culturas. Ele observa que em pouco tempo os lucros aparecem, principalmente pela economia nos gastos com insumos e defensivos agrícolas.
O proprietário das terras onde foi realizado o Dia de Campo, Paulo Rohr, faz parte de um grupo de 14 produtores escolhidos para desenvolverem as pesquisas em parceria com o Iapar e a Itaipu Binacional. Ele considera importante o produtor conhecer todas as características das máquinas para que possa optar por modelos adequados à sua realidade. ‘‘Os resultados dos experimentos devem ser levados em consideração para que o plantio direto seja uma prática de qualidade em toda região’’, argumenta.

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