Máquinas precisam de manutenção antes do plantio
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sexta-feira, 12 de setembro de 2003
Cláudia Barberato<br>Reportagem Local 
Máquinas e implementos agrícolas não dão problemas no barracão e sim no campo, atrasando plantio e reduzindo possibilidade de sucesso na formação de uma boa lavoura.
O alerta é da técnica Elisângela Domingos, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), instrutora do curso de operador de tratores e máquinas agrícolas. A manutenção preventiva sai mais barato do que a corretiva. De nada adianta investir em sementes e planejamento da safra se na hora do plantio a máquina pára por falta de cuidados básicos, completa.
A compra de uma máquina agrícola, continua Elisângela, é um investimento importante que o produtor rural faz em sua propriedade, visando precisão no plantio e na colheita e, no final, maior lucro com sua atividade.
O retorno desse investimento é proporcional aos cuidados que ele tem com o bem. Um cuidado fundamental é a manutenção preventiva que começa com limpeza, seguida da revisão e troca de peças quando necessário, além da troca de óleos e outros detalhes. São necessidades, lembra Elisângela, que se não forem observadas criteriosamente podem comprometer as funções da máquina e pôr a perder todo o investimento do agricultor.
A manutenção preventiva também é indicada para prolongar o tempo de vida útil da máquina. Segundo o instrutor do Centro de Treinamento da New Holland, em Curitiba, Max Taylor Pedroso, a média de uso das máquinas é de 10 anos, mas uma manutenção pode prorrogar este prazo.
A maior dificuldade para os alunos que chegam o Centro de Treinamento da empresa é, segundo Taylor, lidar com a tecnologia avançada das novas máquinas e tratores. Mostramos que toda aquela tecnologia pode ser uma aliada na precisão do plantio ou da colheita e que não é complicado lidar com ela.
A empresa, que fabrica máquinas e equipamentos, treina produtores e empregados rurais nas áreas de manutenção e segurança na operação de máquinas em parceria com o Senar, Universidade Federal do Paraná e algumas instituições de pesquisa. Segundo informações do Senar, 50 mil operadores e técnicos de tratores e outros 10 mil em colheitadeiras já foram treinados pela parceria.
Tanto Max quanto Elisângela destacam que é importante que agricultor e seu funcionário possam receber as mesmas orientações para manutenção e operação de todo o maquinário. Isso serve para estarem ajustados quanto à execução dos serviços na propriedade. Outra indicação é sempre seguir as recomendações do fabricante quanto a troca de óleos, manutenções no motor, entre outros detalhes.
Hoje o produtor dispõe de máquinas maiores, para compensar o tempo de plantio, que executam maior área de semeadura. Mesmo assim, alguns teimam em correr com as máquinas na hora do plantio. Essa corrida contra o tempo, no entanto, pode ser bastante prejudicial. Tem que haver precisão e isso não se consegue em alta velocidade. A recomendação é que não se ultrapasse 5 km/hora, ensina Elisângela.
Uma plantadeira fora da velocidade indicada pode distribuir sementes muito próximas ou muito distantes uma da outra. Quando as sementes germinam pode ocorrer competição entre as próprias plantas ou com plantas daninhas. O prejuízo ocorre na quebra do rendimento ou com defensivos para matar o mato. Para quem busca precisão o jeito é andar na velocidade indicada, orienta.
O trator exige manutenção constante. Durante o ano todo ele não pára na propriedade e é usado em diversos setores, da agricultura até a pecuária.
Antes de ser acoplado a um implemento, como a plantadeira, por exemplo, é preciso fazer o lastreamento do trator. Por falta de informação pouca gente faz o serviço correto, avisa Elisângela. O lastreamento, segundo ela, consiste em adicionar peso ao trator, nos pneus e partes dianteira ou traseira.
O lastro proporciona índice de patinagem ideal para que o trator possa trabalhar sem grande esforço e com eficiência. Se tiver pouco peso cai o rendimento da máquina e prejudica o plantio. Se tiver muito peso ocasiona grande esforço mecânico e problemas de motor.
O filtro de ar é outra peça chave para tratores e colheitadeiras. É ele que garante a qualidade de ar que vai para o motor comandar todas as demais funções. Numa analogia ao corpo humano é como se fosse o pulmão, e o motor o coração da máquina, explica o manual do Centro de Treinamento da New Holland. O filtro impede que impurezas entrem no motor, causando danos.
A cada dia de trabalho da máquina é necessário checar o nível de óleo do motor. A inspeção de filtros de combustível deve ser feita diariamente a cada 10 horas de trabalho. A limpeza das chamadas colméias do radiador também é um item de manutenção importante.
Para as semeadeiras ou plantadeiras, no máximo um mês antes do plantio, é indicado fazer revisão geral de peças e verificação de óleos. É preciso limpar e lubrificar correntes e engrenagens e engraxar alguns pontos.
A máquina precisa de um bom trato e regulagem, afinal é dela que depende a germinação da safra que será plantada, aponta o técnico Max Taylor.
A troca de discos da plantadeira deve ser feita de acordo com o estado da peça. A opção por peças originais é a decisão mais inteligente, alerta Elisângela. Somente a peça original confere a garantia ao produtor do aproveitamento total da máquina, sem comprometer suas funções, por um período maior.
O uso incorreto das máquinas se reflete, por exemplo, no tempo de vida útil dos motores. No Brasil os motores duram em média 5 mil horas de trabalho. Nos EUA e Europa esse tempo está entre 15 a 20 mil horas. Nestes países é o próprio agricultor quem opera suas máquinas.


