A cotonicultura deve ocupar uma área maior na região da Cooperativa Agropecuária Mourãoense graças às colheitadeiras mecânicas. Somente este mês a cooperativa reuniu cerca de 1.800 produtores em seis dias-de-campo em Juranda, Mamborê, São João do Ivaí, Luiziana, Boa Esperança e Engenheiro Beltrão. Tudo isso para apresentar a viabilidade econômica do aluguel das máquinas. Segundo a Coamo, o cooperado não precisa comprar o equipamento, que ainda é considerado caro. É possível emprestá-lo e ainda obter lucro em relação à colheita manual.
‘‘Estamos mostrando aos cooperados que, para colher o algodão com máquinas, não é preciso comprá-las’’, destaca o gerente de assistência técnica da Coamo, Nei Cesconetto. ‘‘Existem grandes produtores que alugam colheitadeiras a custo compensador’’. O alerta da cooperativa para a colheita mecânica já havia começado no ano passado, quando a empresa fez as primeiras demonstrações e chegou a lançar uma campanha inédita de incentivo aos cotonicultores.
‘‘Nossa intenção agora é que grandes e médios produtores adotem a colheitadeira para que ela supra a falta de mão-de-obra, concorra com a existente e barateie a colheita manual para os pequenos produtores’’, diz Cesconetto. Segundo ele, o problema social já foi criado com a brusca queda no plantio. ‘‘Com a colheita mecânica, a tendência é a retomada do crescimento da área de algodão e, consequentemente, o surgimento de mais trabalho para os bóias-frias’’.
De acordo com Cesconetto, a colheita mecânica tem outras vantagens: é mais rápida, melhora o tipo do algodão colhido e melhora a competitividade do algodão em relação a outras culturas mecanizadas. Para convencer os produtores de que o sistema funciona, os dias-de-campo também apresentaram a variedade Coodetec 401, que foi desenvolvida pela Cooperativa Central Agropecuária de Desenvolvimento Tecnológico e Econômico (Coodetec) especialmente para a colheita com máquinas.
Interesse‘‘É a primeira variedade de algodão desenvolvida e lançada por uma entidade privada e que atende aos principais requisitos, como rendimento e qualidade da fibra e grande quantidade de capulhos abertos já na primeira colheita’’, explica um dos pesquisadores da Coodetec, Delano Gondim. Nos dias-de-campo os técnicos da Coamo voltaram a insistir que o algodão ainda é a melhor opção de renda, principalmente para os mini e pequenos produtores.
Segundo número apresentados pela cooperativa, mesmo com o produto colhido e classificado como tipo 5/6, nesta safra, com um preço de R$ 8,75 por arroba, quem colheu 400 arrobas por alqueire alcançou uma receita de cerca de R$ 3.370,50 por alqueire, já descontando o Funrural e o fundo de capital. Para produzir, com aplicação de insumos e demais operações, o custo estimado ficou em R$ 1.717,77 por alqueire, o que deixa uma margem de lucro de R$ 1.650,00. Esse valor é equivalente a um lucro líquido de 100 sacas de soja por alqueire.
Durante as demonstrações, pelo menos dois cooperados se renderam à novidade: Lair Maggione, de Mamborê, por exemplo, nunca plantou algodão, mas disse que ficou ‘‘entusiasmado’’ com o que viu. ‘‘Vou começar devagar, mas dependendo dos resultados, vou aumentar a área e usar a colheita mecânica’’, diz. E Tomé Carlos de Souza, de Roncador, promete voltar com o algodão após seis anos de ausência. ‘‘Parei porque a mão-de-obra era difícil e cara’’, conta. ‘‘Agora é possível voltar’’.

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