Máquinas para mercado brasileiro
Cristina Côrtes
De Londrina
Com a expansão do sistema de plantio direto do Paraná e também em outras regiões, muitas indústrias estão adaptando suas máquinas plantadeiras e semeadoras, para atender ao mercado brasileiro. Um grupo de pesquisadores da área de engenharia agrícola do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) visitou, na semana passada, as principais indústrias de semeadoras do Rio Grande do Sul.
O objetivo foi conhecer a evolução tecnológica e estratégias comerciais das empresas, dando continuidade ao trabalho de avaliação de desempenho de máquinas, que vem sendo realizado pelo instituto num trabalho conjunto com a Universidade Estadual de Londrina (UEL). Participam os pesquisadors Ruy Casão Jr., Augusto Guilherme de Araújo, Rubens Siqueira, e Ricardo Ralisch da UEL. Segundo o pesquisador Ruy Casão, o Paraná é um grande mercado para semeadoras de plantio direto e as indústrias estão desenvolvendo produtos específicos para o Norte e Oeste do Estado, onde os solos são mais pesados, e por isso o sistema avançou mais devagar.
AdaptaçõesA preocupação das indústrias é com os sulcadores. Segundo Ruy, o grande problema das máquinas está nos componentes da parte inferior. Como os solos do Norte e Oeste do Estado são muito argilosos, a aderência nos sulcadores aumenta a demanda de potência do trator, e com o tempo curto para o plantio, o produtor não retira esses excessos, explica Ruy.
A consequência é que as sementes não têm um bom contato, a cobertura não fica muito boa, com uma germinação irregular e problemas na formação do estande. As indústrias estão modificando os sulcadores, para tentar resolver estes problemas.
Para o engenheiro-agrícola Augusto Guilherme de Araújo, o produtor hoje tem inúmeras opções de máquinas, com preços bem acessíveis, para fazer o plantio direto. Ele explica que as plantadeiras são as máquinas que fazem o plantio de precisão e são utilizadas para semear soja, milho, feijão e sorgo, entre outros produtos. Já as semeadoras são as usadas para plantio de fluxo contínuo, para sementes miúdas como o trigo, a aveia, mas servem também para a soja e o milho. Ou seja, são as chamadas multissemeadoras, que plantam em precisão e também com fluxo contínuo.
Até agora as máquinas mais usadas pelos produtores são as plantadeiras, mas os pesquisadores estão recomendando a multissemeadora, que pode ser mais útil. No sistema de plantio direto, mesmo que a opção seja pela exploração soja/milho, o sistema só será sustentável se o produtor fizer rotação de culturas e adubação verde, e aí ele vai precisar de uma máquina que plante tanto os grãos maiores como os menores, comenta Augusto.
PreçosO custo de uma máquina de precisão, hoje, no mercado, varia de R$12 mil a R$20 mil e uma multi oscila entre R$15 e R$25 mil. A diferença de preço é pouca e a multi é muito mais racional, comenta Augusto. Ele esclarece que máquinas neste preço são aquelas para trabalhar com tratores na faixa de 80 a 90 HP, indicadas para pequenas áreas. Um produtor de grandes áreas pode ter as duas máquinas. Hoje, no mercado, existem mais de 40 modelos de semeadoras de plantio direto.
A grande competividade entre as indústrias manteve os preços estáveis neste ano. Quem quiser comprar, tem inúmeras alternativas e deve pesquisar. Hoje temos máquinas mais baratas e tão boas quanto as fabricadas pelas marcas conhecidas e já tradicionais, avisa Augusto.
Próxima safraPara a próxima safra, os pesquisadores prevêem que muitos produtores, em função dos altos custos dos insumos, podem optar por voltar ao plantio convencional, que tem um custo de produção um pouco menor ( em torno de 2%, segundo dados da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento Seab). Mas, segundo Ruy Casão, isto não deve compensar, porque a diferença é pequena.
O crescimento da área de plantio direto no Estado é bastante significativo. Nos anos 80 tínhamos 500 mil ha no sistema, e hoje temos mais de dois terços da área, o que representa 4 milhões de ha cobertos com plantio direto, informa Ruy. De olho neste mercado, as indústrias analisam que está se abrindo uma nova fronteira na mecanização agrícola.
Até a década passada, o preparo do solo para as lavouras anuais utilizavam arados de disco e grades, num trabalho demorado, que exigia alta potência dos tratores e revolvia bastante o solo. Depois, os produtores foram substituindo o disco pelo escarificador, buscando mexer menos com o solo, prática que foi chamada de cultivo mínimo.
Na década de 90, com o impulso dado ao sistema de plantio direto, os custos das operações de mecanização cairam pela metade, porque as horas máquinas gastas são reduzidas em 50%. O produtor tem apenas que manejar a cobertura verde, utilizar o pulverizador para dessecação química, para depois passar o triturador ou rolo-faca ou roçadeira. E depois vem o plantio.
No sistema convencional o produtor tem que fazer a escarificação e gradagem. Muitos têm feito esta primeira operação associada com o pulverizador. Segundo Augusto, para a escarificação o produtor deve estar atento à profundidade do solo. É preciso conhecer primeiro o solo, para saber de suas condições, depois é necessário estar atento à regulagem da profundidade a ser trabalhada, para reduzir ao mínimo a movimentação do solo.Crescem no País a industrialização e comercialização de máquinas para o sistema de plantio direto
ArquivoPlantio convencional deixa o solo exposto às intempéries. Existem plantadeiras de precisão para o plantio diretoJosué de CarvalhoOs pesquisadores recomendam o uso da multisemeadora, porque pode ser utilizda para vários tipos de plantioOs pesquisadores Ricardo Ralisch, da UEL e Rubens Silveira, do Iapar, analisando sulcadorRuy Casão e Augusto Araújo avaliam diversos tipos de máquinas e propõem sugestões de adaptações para as indústrias





