Em parceria com a Copersucar, a Divisão de Engenharia do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, está desenvolvendo uma máquina para separar a cana da palha e de outras impurezas reunidas na colheita, sem necessidade de métodos que prejudicam o solo, como queimadas ou uso de água. Prevê-se que o protótipo fique pronto em quatro meses. O objetivo é aumentar a eficiência e reduzir o custo na colheita da cana-de-açúcar.
O engenheiro Regis Lima Verde, gerente de tecnologia industrial do Centro de Tecnologia Copersucar, em Piracicaba (SP), informa que o valor do investimento necessário para a construção da chamada ‘‘estação de
limpeza de cana a seco’’ é de R$1,5 milhão. O ITA gastou R$40 mil para o desenvolvimento do projeto, e a Copersucar estima ter gasto cerca de US$3 milhões desde que iniciou a construção da primeira máquina. Além disso, a cooperativa tem um financiamento de US$3,7 milhões do Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (Pnud), liberado para pesquisar o aproveitamento da palha residual como fonte de energia.
Vento e economiaA máquina usa o vento para separar os materiais mais leves da cana. Uma tubulação interior canaliza os jatos de ar obtidos por ventiladores e assopram a cana e os resíduos para compartimentos separados. Com esteiras, os materiais são levados a depósitos.
Além das vantagens ambientais, outro ponto é a redução da perda da cana. A estimativa da Copersucar é que a economia chegue a R$500 mil por safra. Em 95 e 97, a Copersucar pediu ao ITA para fazer ajustes e melhorias na máquina,
(projetada por técnicos da própria cooperativa), principalmente porque o
rendimento não estava sendo satisfatório.
‘‘A diferença é que, com base no que já existe hoje, teremos liberdade para fazer mudanças necessárias’’, disse o engenheiro Roberto da Mota Girardi, 40, vice-chefe da divisão. Segundo ele, em termos estruturais, o que pode ser alterado é a resistência do ar.
Segundo o engenheiro agrônomo Marcos Farhat, 36, chefe do Departamento
Técnico da Cooperativa dos Plantadores de Cana-de- Açúcar de São Paulo, o equipamento pode elevar a qualidade do produto. Quando a cana é
esmagada sem passar por uma limpeza, as impurezas ficam retidas nas
fibras, o que provoca queda na qualidade do açúcar.’’

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