Jota Oliveira
Em parceria com a Cooperativa Central de Desenvolvimento Tecnológico e Econômico (Coodetec), sediada em Cascavel, a Cooperativa Agropecuária União (Coagru), de Ubiratã (96 quilômetros a Sudoeste de Campo Mourão), no Centro-Oeste do Estado, iniciou na safra 96/97 um trabalho inédito na região, para tentar conter a redução da cotonicultura: instalou área para demonstração de colheita mecânica, e promoveu dia-de-campo para mostrar a tecnologia aos produtores.
Aquele dia-de-campo foi o início da recuperação da área de cotonicultura na região atendida pela cooperativa de Ubiratã, cujos associados chegaram a plantar 15.000 hectares na safra 92/93 e mandaram para a Coagru 3 milhões de arrobas de algodão - um recebimento recorde. A falta de mão-de-obra, principalmente na colheita, foi o principal motivo da redução da área. Por isso, a colheita mecanizada passou a ser considerada a alternativa. No dia de campo os produtores aprovaram a escolha, por suas vantagens em relação à hoje escassa mão-de-obra usada na colheita. Desde então a área plantada caiu a cada safra, até chegar a 4.910 ha em 97/98. Naquele ano os produtores enviaram para a cooperativa apenas 386.000 arrobas. Na safra 98/99, colhida este ano, 395 lavradores cultivaram 4.700 ha e entregaram na cooperativa 567.000 arrobas. Começava a recuperação.
CrescimentoNa safra 97/98, dezesseis produtores, com área total de 260 ha, participaram de projeto elaborado pelo Departamento Técnico da Coagru, para confirmar os resultados da colheita mecânica em campo comercial. O assessor de Comunicação da cooperativa, Adércio Alves dos Reis, diz que os resultados, ‘‘foram animadores’’. Em alguns casos a rentabilidade foi 2,5 vezes maior que a da soja.
O desempenho indicou, assim, a ‘‘completa viabilidade da mecanização’’, e um novo trabalho de fomento despertou o interesse de outros produtores, conta o assessor. Quarenta e cinco produtores cultivaram 1.186 ha, para colheita mecânica, na safra 98/99. Essa área correspondeu a cerca de 25% do total do plantio nos quatro municípios onde a cooperativa atua: Ubiratã, Campina da Lagoa, Nova Cantu e Anahy.
Segundo o engenheiro-agrônomo Hilário José Molina, gerente técnico da Coagru, o interesse pela cotonicultura também cresceu na região, devido ao ingresso na atividade de médios produtores de soja, devido à facilidade da colheita e também por se tratar de uma importante opção de rotação de cultura para o verão - 9,7% (4.700 ha) do plantio de algodão no Estado (48.500 ha) foram cultivados na área de ação da Coagru.
‘‘O algodão, além de quebrar o ciclo de doenças e pragas da soja, como o coró, inseto que tem causado significativos prejuízos, proporciona considerável incremento na produtividade da soja quando cultivada em rotação na safra seguinte, chegando a resultados 15% superiores’’, declara Molina. Ele acrescenta que, enquanto a produtividde média normal da soja é de 2.480 kg/ha, na região, a soja em rotação com algodão produz 2.851 kg/ha.
Mecanização totalNa safra 98/99 a cooperativa contratou quatro modernas máquinas de colher e demais equipamentos, para a mecanização total da colheita: duas caçambas, duas prensas e um caminhão transmódulo - utilizado para transportar fardões prensados, com peso médio de 650 arrobas.
Considerado de Primeiro Mundo, esse conjunto de tecnologia, trazido de Primavera do Leste, MT, foi utilizado pela primeira vez no Paraná e permitiu a colheita de 217.000 arrobas num período de 65 dias. O custo médio do sistema completo (colheita, prensagem e transporte), para o produtor, ficou em R$1,75/arroba. A colheita manual custou em média R$2,00/arroba.
Conforme avaliações do Departamento Técnico da Coagru, a produtividade média da área de colheita mecânica ficou em 3.105 quilos por hectare, contra a média paranaense de 1.910 kg/ha. Foram registradas produtividades superiores, como a obtida por José Antônio Cocoleto, que colheu 3.654 kg/ha. A rentabilidade média foi 2 vezes a da soja. A produtividade média normal da soja é de 2.480 kg/ha.
Uma variedade desenvolvida pelo sistema cooperativista, a Coodetec-401, teve ‘‘excelente desempenho’’ na última safra. Essa variedade foi desenvolvida com características apropriadas à colheita mecânica, melhor qualidade de fibra, precocidade, boa resistêcia a doenças, potencial produtivo e outras vantagens.
Mão-de-obraA Coagru afirma que, ‘‘ao contrário do que possa parecer’’, a mecanização da colheita do algodão ofereceu mais empregos para a região: cerca de 2,5 postos de trabalho diretos no campo para cada hectare cultivado. Além de ingressarem na atividade produtores não tradicionais de algodão, que só passaram para a cotonicultura devido à facilidade da mecanização, eles utilizaram mão-de-obra volante para os tratos culturais e para colheita nos terraços e bordaduras das lavouras. Foram ainda gerados 130 novos postos de trabalho na usina de beneficiamento da cooperativa que, devido ao incremento da produção, voltou a operar dois conjuntos descaroçadores.
No aspecto financeiro, somente a estrutura para a operação de colheita movimentou cerca de R$70.000,00 na região, com despesas em postos de combustíveis, oficinas mecânicas, restaurantes e lojas de peças. Para os cofres públicos a produção da área mecanizada gerou R$43.600,00 em Funrural e R$290.000,00 em ICMS. ‘‘Isto vem comprovar que, além de ser viável para o produtor e para a cooperativa, a cotonicultura é a atividade de maior geração de benefícios sociais e econômicos’’, declara o presidente da Coagru, Áureo Zamprônio, que cultivou na última safra 49 hectares de algodão.
A meta da Coagru para a próxima safra é formar um grupo de 80 produtores, que cultivarão 25.000 hectares de algodão para colheita mecânica.
Queda e recuperaçãoEm 92/93, quando foi cultivada a safra recorde, 2.500 lavradores plantaram 15 mil hectares, e enviaram para a cooperativa 3 milhões de arrobas.A Coagru tentar conter a redução da cotonicultura na região com estímulo para a colheita mecanizada
A escassez da mão-de-obra na colheita foi um dos principais fatores para redução do plantioA colhedora descarrega algodão na prensa, que faz os fardõesJunto à lavoura, o algodão é prensado: tecnologia de Primeiro MundoFardo prensado pesa até 650 arrobas: facilidade para transporteAdércio Alves dos Reis

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