Máquina em dia é dinheiro no bolso
Ivanildo Carrilho, gerente de serviços da Valtra, revela que um dos erros mais comuns encontrados no campo, em termos de manutenção, é o adiamento da troca do óleo e filtro. Segundo ele, nos tratores, por exemplo, se esses preceitos forem respeitados, um veículo de médio porte pode chegar a 20 mil horas. ''Para manter um trator com a manutenção em dia, o produtor gasta de R$ 2,80 a R$ 3 por hora trabalhada. Isso é muito pouco'', assegura o representante da Valtra.
O filtro de óleo do trator, de acordo com o gerente técnico da concessionária Horizon, revenda da John Deere em Londrina, Helioterico de Moraes, deve ser trocado a cada três meses. ''Hoje, com a inserção de máquinas de alta tecnologia e com a qualidade ruim de nosso diesel, é necessário mais cuidado com o filtro'', explica. Moraes aponta que a manutenção preventiva ainda é pouco procurada. ''Na concessionária, o mais comum é o produtor realizar a manutenção corretiva''.
Moraes exemplifica que uma manutenção preventiva básica, ou seja, troca de óleo, filtro e regulagem da máquina em um trator de 75 cv, fica em torno de 0,7% do valor do equipamento. ''Se o motor dessa máquina tiver que ser retificado, caso chegue a fundir, o que pode ocorrer se não houver uma boa manutenção, o produtor irá gastar aproximadamente 7% do valor da máquina para fazer esse motor'', reforça.
Colheitadeiras
O representante da Horizon ainda destaca que os cuidados com os tratores devem ser repetidos nas colheitadeiras. ''A troca de óleo e do filtro são itens essenciais. A substituição desses componentes em uma máquina de 180 cv gira em torno de 0,3% do valor do equipamento'', assinala. Porém, se o motor dessa mesma colheitadeira fundir, devido à falta de manutenção, o valor para recuperá-lo corresponde a 3% do preço da colheitadeira.
Além desses itens básicos de manutenção, de acordo com o gerente de marketing do segmento colheitadeiras da Massey Ferguson, Roberto Ruppnthal, existem dois tipos de manutenção preventiva que o produtor tem a obrigação de fazer. A primeira, destaca ele, deve ser realizada na entressafra. ''Nesse período, o produtor deve se atentar para a limpeza da peneira e verificar os rolamentos. Além disso, o óleo de transmissão e todos os componentes do sistema hidráulico devem ser revisados'', explica.
No caso dos rolamentos, Ruppnthal indica que o proprietário ligue a máquina e a mantenha em baixa rotação. ''Fazendo isso, muitos problemas com rolamentos podem ser percebidos com ruídos que podem aparecer fora do normal'', destaca. Já em plena colheita, o representante da Massey observa que o agricultor deve sempre verificar os níveis de fluídos do equipamento.
Troca
De acordo com o gerente da Massey, a manutenção de uma colheitadeira só vale a pena se o custo não chegar a 10% do valor da máquina. Para efeito de comparação, o gasto para retificar um motor se equipara a esse valor. Enquanto valer a pena ficar com o equipamento, o representante da empresa enfatiza que o produtor que não quer perder a produção, deve realizar a manutenção sempre em dia.
Segundo ele, uma colheitadeira de grãos, por exemplo, sem os cuidados corretos, chega a comprometer mais de 5% da produção. Uma das principais peças responsáveis por essa perda é a barra de corte. ''Cerca de 60% das perdas na colheita ocorrem nessa peça. Junto a isso, o produtor deve verificar também o molinete, dedos retráteis do caracol e a corrente do canal alimentador'', destaca Ruppnthal. (R.M.)





