Mapeamento genético do boi
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de maio de 2003
Agência Estado 
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Central Bela Vista Genética Bovina anunciaram esta semana na capital paulista o início do projeto de mapeamento genético do boi. O Brasil sai na frente dos Estados Unidos - que planeja para setembro o início do sequenciamento genético bovino -, com o objetivo específico de identificar genes associados ao processo reprodutivo, de modo a desenvolver tecnologias e produtos que possam resultar em aumento de produtividade, eficiência reprodutiva, resistência do rebanho e melhor qualidade de carne.
O coordenador do projeto, Luiz Lehmann Coutinho, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), explicou que, ao contrário dos americanos, que farão o mapeamento completo do boi com o objetivo exclusivo do conhecimento, os pesquisadores brasileiros vão se concentrar numa parte pequena do genoma - 3% do total -, basicamente tecidos reprodutivos e os relacionados à resistência a doenças.
Não por acaso o foco do estudo é a raça nelore, predominante no rebanho brasileiro com cerca de 80% das 170 milhões de cabeças. Segundo Coutinho, o gado nelore adaptou-se perfeitamente aos trópicos, desenvolvendo mecanismos de resistência contra carrapatos e outros parasitas. Além disso é a melhor raça de gado do Brasil.
''O conhecimento que resultará do mapeamento genético não trará um impacto apenas sobre a raça nelore, mas também sobre as raças européias trazidas ao Brasil e que não têm a mesma resistência contra doenças'', explica.
É em busca de novas tecnologias que poderão surgir do projeto que a Central Bela Vista Genética Bovina, empresa produtora de sêmen e embriões, participa da iniciativa, dividindo com a Fapesp o investimento de US$ 1 milhão. ''Há mais de uma década trabalhamos com a universidade e, nesse período de convivência, identificamos oportunidades valiosas para pesquisa e negócio. Este projeto especificamente permitirá produzir carne bovina com mais segurança'', disse o presidente da central, Jovelino Mineiro.
O mapeamento dos 6 mil genes escolhidos para o projeto genoma brasileiro do boi deve ser concluído em seis meses. O empresário Jovelino Mineiro explicou que o sequenciamento genético pode não resultar em um produto final, como vacinas e medicamentos, a curto prazo, mas ele acredita que tecnologias, entre elas, marcadores genéticos, poderão ser comercializadas tão logo o estudo seja concluído.
Para o secretário de Ciência e Tecnologia de São Paulo, João Carlos Meirelles, que é pecuarista, o projeto genoma permitirá antecipar novas metodologias de certificação, garantindo a qualidade do produto exportado. Meirelles previu que até o final deste ano o Brasil deve se tornar o maior exportador de carne do mundo, ultrapassando a Austrália e os Estados Unidos . ''O Brasil deve exportar neste ano 1,2 milhão de toneladas; os Estados Unidos, 1,1 milhão; e a Austrália, que enfrenta uma profunda seca, 950 mil toneladas'', disse.


