Manual ensina boas práticas
O mercado de plantas medicinais, aromáticas e condimentares se mostra cada vez mais exigente. Isso porque quanto maior a distância entre o produtor e o consumidor final, aumenta a necessidade de controle rigoroso de qualidade do produto comercializado. Mas é importante lembrar que qualidade implica em custos. Não é possível cobrar dos produtores se o mercado não está disposto a pagar pelo trabalho especializado e produto de alta qualidade e isento de agroquímicos.
A observação é feita pelos criadores paranaenses do Manual de Boas Práticas Agrícolas de Plantas Medicinais, Aromáticas e Condimentares, lançado pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), em outubro. ''O mercado está mais exigente, mas precisa acontecer a adequação de preços. Remunerar de forma justa as boas práticas do produtor é imprescindível para o crescimento da atividade'', enfatiza Marianne Christina Scheffer, engenheira agronôma autônoma e membro da direção da Asppm, que juntamente com Cirino Corrêia Júnior, escreveu o manual baseado em pesquisas feitas, há mais de 20 anos, pela dupla.
O manual recomenda aos interessados em investir no setor que se apoiem no tripé Legislação-Organização-Qualidade, já que para competir no mercado é preciso cumprir as normas vigentes, ter elevada capacidade gerencial e primar pela qualidade do produto e seus princípios ativos. O livreto ainda aponta diretrizes para o cultivo e beneficiamento sustentável das plantas medicinais, aromáticas e condimentares, além de fornecer mecanismos para estabelecer bases de exportação.
São dez os mandamentos para as boas práticas agrícolas, começando pela identificação botânica da espécie a ser cultivada, que deve ser 100% rastreável. As técnicas de cultivo, o solo, a adubação e a irrigação devem ser aplicados corretamente.
Sobre o manejo e proteção da cultura, o manual destaca a adoção da consorciação (plantio de duas ou mais espécies) como uma forma de reduzir o risco de pragas e doenças e aumento da produção para espécies compatíveis, além do respeito as etapas de colheita.
No tocante ao beneficiamento primário, são orientados desde a pré-limpeza a extração de óleos essenciais. Dentre os métodos de secagem, destaque para os modelos de secadores tipo contêneir com aquecimento indireto através de radiador e ventilador. Para embalagem, a Embrapa desenvolveu um modelo feito com duas folhas de papel crafft e revestido internamente com plástico átoxico. O manual ainda dá instruções de armazenamento, transporte, equipamento, instalações, documentação e garantia de qualidade. Segundo Cirino Corrêia Júnior, apenas 20% do mercado brasileiro já visa as boas práticas. (F.G.)
Serviço:
O manual pode ser obtido na Emater, em Curitiba. Informações pelo telefone (41) 3250-2145.





