Manual de boas práticas agropecuárias
No estado de São Paulo uma lei estadual está sendo regulamentada para garantir o bem-estar dos animais. Anterior a isso, a Embrapa Pecuária Sudeste, de São Carlos, formou uma comissão ética no uso de animais, que avalia os projetos e os cuidados dispensados durante o trato. O manual ''Sistemas de boas práticas agropecuárias'', formulado pela instituição orienta produtores sobre a maneira correta de tratar os animais.
Segundo o pesquisador Rui Machado, da área de reprodução animal, o ideal é manter o animal da forma mais natural possível no período de confinamento. Preservar a sombra, o acesso à água, o horário do alimento, caminhada e o período de reprodução, são fundamentais para o bem-estar dos animais. ''O animal precisa se sentir bem, funcionar bem e viver de forma natural. Isso não impede que usemos meios artificiais, desde que não agridam os animais''.
O trabalho é desenvolvido na área de experimento da Embrapa de São Carlos, que inclui o manejo com 3.500 bovinos e 300 ovinos. Nos dois casos os piquetes têm livre acesso à fonte de água, sombreamento e sal mineral.
As instalações também são feitas de forma a promover abrigo sem estresse e evitar predadores, assim como observar as condições do local, higiene e conforto, o que inclui a densidade de animais dentro do abrigo, para que não haja aglomeração. ''Tudo o que pode ser feito para evitar situações estressantes e proporcionar conforto para os animais, fazemos''.
O trabalho com animais para corte é mais minucioso. ''Os animais devem ter o mínimo de estresse possível, para que haja maior qualidade na carne. Já é comprovado que a textura da carne se altera com o estresse do animal'', afirma o pesquisador. Os currais têm formato próprio - circular - e as aglomerações são feitas por sessões. ''Hoje adotamos um manejo mais humano no cotidiano dos animais, evitando que eles corram, apanhem, sofram''.
Para Machado, os produtores ainda estão em fase de sensibilização. ''É preciso conscientizar os produtores e ter rigor na fiscalização. Mas é difícil estabelecer prazos para mudanças. É um processo lento'', admite.(M.O)





