Uma em cada cinco pessoas não lava as mãos ou os utensílios domésticos após o contato com carne não processada e ainda ingere carne crua. Isso não é tudo: Metade da população consome ovos pouco cozidos ou crus. Estas afirmações são de um especialista, o professor João Palermo Neto, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, da USP, que também é toxicologista e membro da JECFA, entidade ligada ao Codex Alimentarius, instituição que coordena em nível mundial as questões ligadas à saúde e à alimentação humanas. ''Esse risco de contaminação por bactérias resistentes aumenta com o estado sócio-econômico das pessoas, o que é agravante'', ressalta o professor Palermo, especialista em alimentos de origem animal.
Por trás das estatísticas sobre higiene no consumo de alimentos está o
conceito de segurança alimentar, obrigatório quando se discute o direito dos
consumidores de terem à mesa produtos de origem animal de qualidade,
procedência conhecida e certificados por órgãos governamentais. ''O
consumidor está, sim, cada vez mais preocupado com a origem dos alimentos,
mas, nem sempre, após a compra do produto, ele se preocupa com questões importantes, como procedência dos alimentos, higiene e
práticas de consumo e preparo adequadas'', alerta o especialista da USP.
O professor Palermo tem avaliado o papel dos alimentos de origem animal na polêmica envolvendo o desenvolvimento de resistência bacteriana, questão que, segundo ele, está mais associada ao preparo dos alimentos e às práticas de consumo, do que ao uso de antibacterianos, como é alardeado.

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