Manga é competitiva no exterior
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sábado, 29 de dezembro de 2001
Cristina Côrtes<br>Reportagem Local 
Apesar da queda nas cotações de preços desta safra, a manga brasileira tem excelentes condições de ampliar sua participação do mercado internacional. Recente pesquisa realizada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/ ESALQ), pela equipe Hortifruti, coordenada pela engenheira agronôma Beatriz Sbrissa Lucafó, mostra que a competitividade da manga brasileira é assegurada pela qualidade do produto, escala e constância no fornecimento da fruta durante o ano.
Segundo Beatriz, os dados levantados em pesquisa do CEPEA, mostraram que no início de dezembro a manga chegou a ser cotada entre R$ 0,07 e R$ 0,10/Kg na região de Monte Alto (SP), uma desvalorização média de 50% em relação ao ano passado. ''A crise norte-americana este ano intensificou a queda dos preços, e a oferta da fruta à União Européia num volume superior a capacidade de absorção fez os preços caírem. E no mercado interno, somou-se o excedente do que deixou de ser vendido no exterior e a safra paulista, agravando ainda mais a situação de preços baixos'', explica Beatriz.
Potencial e problemas
A conclusão geral do trabalho é que o Brasil apresenta todas as condições para expandir sua participação na exportação de manga nos próximos anos, mas a cadeia ainda encontra alguns problemas para resolver no curto prazo. Segundo Beatriz, ''são três os principais problemas que dificultam o avanço da manga brasileira no exterior''.
Em relação à União Européia, destaca-se o desconhecimento da fruta pela maior parte da população, que resulta em baixo consumo per capita. Já frente aos EUA, o problema fica por conta das rigorosas barreiras fitossanitárias que oneram as exportações. Além disto, o México, principal fornecedor da fruta para os EUA, nos últimos dois anos, tem abastecido continuamente o mercado norte-americano, fechando a 'janela de mercado' antes aproveitada pelo Brasil nos meses de entressafra mexicana (setembro e outubro).
Dentre as barreiras identificadas na pesquisa, observa-se que a competitividade em termos de preços, em determinada época do ano, é um dos maiores problemas.
Em busca de soluções
O estudo sugere algumas providências para que o potencial do País seja, de fato, aproveitado. ''É preciso ter marketing agressivo que destaque os diferenciais da manga brasileira (o sabor, coloração ...) voltado para os USA e União Européia. Além disto, a cadeia produtor-exportador precisa ter uma maior organização; instituições públicas e privadas também precisam desenvolver tecnologias avançadas de pós-colheita e principalmente o desenvolvimento de políticas de controle de escoamento da produção'', destaca a pesquisadora.
A manga é uma das principais frutas brasileiras exportadas, em termos de valor. O pólo produtor de manga Petrolina-Juazeiro têm explorado esse potencial, aumentando expressivamente sua participação nas exportações brasileiras nos últimos anos e proporcionando que o País saltasse do 5º lugar em 1998 para o 2º lugar em 1999. O pólo é responsável por quase 95% das exportações brasileiras.
Segundo avaliação da pesquisadora, o direcionamento da produção de manga para os produtores que destinaram a sua produção para o mercado internacional, chegaram a receber 50% a mais no final de agosto do que o produto vendido no mercado interno. Além disto, até o produtor que não apresenta elevada tecnologia e infra-estrutura se beneficia com as exportações, porque o direcionamento de parte da produção para o exterior contribui para que os preços no Brasil se sustentem, evitando excedentes de produção e, consequentemente, uma queda drástica nos preços como está ocorrendo neste final de ano.
Um dos principais pontos fortes, observados na pesquisa, para ampliar a participação brasileira nas exportações mundiais de manga é a isenção de imposto de importação sobre a fruta brasileira tanto por parte da União Européia quanto nos Estados Unidos, isto porque a fruta nacional está inserida no Sistema Geral de Preferência desses países.


