O pequeno produtor de Primeiro de Maio, no Norte do Paraná, Francisco Omura, está realizando agora a catação de mato na área onde foi colhido o milho safrinha e que, em breve, irá receber a soja. Com o manejo, Omura espera reduzir custos de produção com a lavoura de verão e não gastar com herbicidas logo no início.
O trabalho de catação tem o custo de R$60,00 nos 11 alqueires da área do produtor. Se fosse passar o herbicida, próximo da época de plantio da soja, ele calcula que o gasto seria de pelo menos R$600,00.‘‘Além de sair mais barato a catação do mato é eficiente’’, afirma Francisco Omura.
Na ponta do lápis Desde que começou a fazer parte do Programa Redes de Referência, da Secretaria de Agricultura do Paraná, realizado pela Emater, há dois anos, Omura aprimora a cada ano suas informações sobre tudo que gasta para produzir. É assim que ele espera reduzir custos, manter a produtividade e aumentar seus lucros.
A catação é uma das práticas que o produtor vem adotando, mas não é a única, para garantir uma boa safra. Com a ajuda do técnico da Emater local, Juvaldir Olímpio, e do filho Marco Yukio, Francisco Omura procura reduzir as margens de erros em todas as etapas da produção de soja. Todo final de safra ele faz uma avaliação para analisar erros e acertos e ver onde se pode reduzir custos ‘‘sem afetar produção e rentabilidade.’’
Boa produtividadeMesmo em anos de clima atípico, como foi no final do ano passado, quando a soja sofreu com a seca, a adoção de práticas corretas de manejo e boa condução da lavoura renderam bons resultados ao produtor.
Na safra passada Omura conseguiu obter uma produtividade de 104 sacas de soja por alqueire, bem acima da média de outros produtores de sua região que foi 65 sacas de soja por alqueire. O custo variável por saca ficou em R$9,93.
De acordo com o técnico da Emater de Primeiro de Maio, Juvaldir Olímpio, a seca prejudicou o resultado da soja em toda aquela região. Mas produtores que fazem o plantio direto, por exemplo, como Omura, tiveram resultados melhores. ‘‘O sistema de plantio direto permite maior absorção e reserva de água e as plantas sofrem menos na seca’’, afirma Julvadir.
Mas Omura já chegou a resultados melhores: em 98/99, num ano em que o clima foi normal durante a safra, a produtividade bateu os 138 sacas por alqueire e um custo variável na casa dos R$5,55 a saca; números que ele espera repetir este ano. As condições do clima, ao que se prevê, serão melhores do que no ano passado.
Produtor modelo O nível maior de comprometimento com a atividade, encarando a propriedade rural como uma empresa faz de Omura um dos produtores com melhores resultados entre os participantes do Programa Redes.
Segundo o técnico da Emater, o objetivo do projeto é que os produtores ‘‘vejam suas propriedades com empresas prontas a dar lucro. Pela falta de planejamento e boa condução das lavouras muitos produtores não têm obtido sucesso na atividade.’’
Economia no plantio Francisco Omura adotou o plantio direto há alguns anos. A catação que agora está sendo feita, servirá para reduzir seus custos de produção durante a implantação da soja. Um dos maiores custos no plantio direto, segundo o técnico da Emater, é exatamente o controle do mato. Outro cuidado no início da safra é com a compra de sementes. ‘‘Só certificadas e que depois serão tratadas’’, avisa Marco Yukio.
Omura também reduziu o número de sementes por área. Com a plantadeira bem regulada não é preciso exagerar. Ele usa o adubo de acordo com a reposição necessária de nutrientes a ser feita no solo. A aplicação de produtos químicos só é feita ‘‘quando for extremamente necessário.’’ Ali não se aplica como prevenção.
Controle alternativo O filho Marcos Yukio que ajuda Omura na administração do sítio prefere usar produtos fisiológicos para controle da largarta da soja. ‘‘Não faz mal para a gente e nem para o ambiente.’’
Depois da germinação da soja é feito um monitoramento das pragas do solo que atacam a soja como a largarta rosca e a elasmo. A aplicação de produtos só será feita quando a população na batida do pano estiver entre 25 e 30 lagartas e uma desfolha de 30% nas plantas.
Depois, durante a floração, o combate a lagarta só é feito se a desfolha estiver por volta dos 15%. Normalmente eles usam inseticida fisiológico, que mata a lagarta depois de 3 a 4 dias da aplicação. O produto tem um período residual bom e não agride meio ambiente.
O técnico conta que Omura sempre foi muito ansioso, como a maioria dos agricultores que logo quando vêem uma lagarta andando na soja vão aplicando veneno e não têm paciência de esperar o efeito de um produto alternativo. ‘‘É comum o produtor começar a fazer um manejo integrado de pragas e desistir no meio do caminho pela ansiedade de ir aplicando, olhar para trás, e ver as lagartas caindo,’’ afirma o técnico.
A preocupação com ataque de lagartas na soja vai até o estágio em que a planta começa a dar as vagens (estágio que se chama de canivete). Dependendo do clima, ainda aparecem algumas lagartas mais tarde que cortam as vagens da soja. Mas é nesta fase que Omura começa a se preocupar com os percevejos.
O produtor tem feito o manejo de batidas no pano e contagem da população de insetos. Ele analisa também a desfolha e só aplica produto químico se em 10 batidas por semana aparecerem 4 percevejos por batida.
‘‘Tem produtor que vê um ou dois percevejos andando na lavoura e aplica o produto químico. É preciso esperar e avaliar até que ponto acontecem os prejuízos. Tudo isso é uma forma de reduzir os custos de produção da lavoura’’ avalia Omura.
O produtor sabe valorizar também os inimigos naturais das pragas da soja. Na batida do pano, de acordo com o filho Marco, são contados também os insetos que agem como controladores do percevejo ou das lagartas. Tudo é anotado. ‘‘Tem anos que a gente controla a presença dos percevejos e não é preciso fazer aplicação’’, conta Marco.
Num ciclo, segundo o técnico, ganha-se de 2 a 3 aplicações devido aos inimigos naturais que controlam o percevejo. Mais uma maneira de reduzir os custos.
Na avaliação seguinte, de olho na lavoura, o produtor faz uma análise do tamanho das plantas, número de vagens por planta e outra catação manual do que sobrou da safra passada. ‘‘É comum a gente andar no meio da lavoura de soja colhendo mato ou mesmo o milho que rebrotou e ficou seco no meio da lavoura nova’’, conta Omura.
Na colheita No dia da colheita outras providências: verificar as máquinas e fazer avaliação das perdas. Omura já chegou a perder de 4 a 5 sacas de soja por alqueire. Hoje a média paranaense está em 2,5 sacas por alqueire. Omura perde menos de 1,2 saca por alqueire.
Com as antigas perdas Omura deixava no chão 55 sacas de soja. Ao preço de R$17,50 a saca, daria um prejuízo de R$962,00 nos 11 alqueires. Esse dinheiro, segundo Marco Yukio, já seria suficiente para pagar as sementes do plantio.
A colheita é terceirizada, mas nem por isso há descuido do produtor. Ele sabe que 80% das perdas na colheita acontecem na plataforma de corte e na velocidade do molinete, por isso fica sempre atento ao trabalho do operador e orienta uma velocidade sempre entre 4 a 5 quilômetros por hora.
Depois da colheita, a soja que fica no chão é uma ‘‘invasora’’ para a safrinha do milho que virá depois. Quando há pouco material no solo Omura faz uma capina e catação. Só aplica o herbicida quando houver grande número de plantas.
‘‘O planejamento e a redução de custos não é só para soja’’, avisa o produtor. Segundo ele é preciso pensar na propriedade como um todo. Omura transfere também todo o serviço de controle e práticas para o milho, o café e a produção de pêras que mantém na propriedade.
Capricho No fim da colheita o manejo do maquinário da propriedade que foi usado na safra é outro bom exemplo. Ao final de cada safra Omura e o filho lavam todos os equipamentos e encerram antes de guardá-los num galpão. ‘‘Não adianta plantar direito, fazer uma condução adequada da lavoura se na hora de colher as máquinas estiverem mal conservadas.’’
Outro ponto que Omura faz questão é a coleta de amostras do solo. O objetivo, explica o técnico da Emater, é ver a evolução dos nutrientes e programar a adubação da safra seguinte. Há 4 a 5 anos Omura tinha que fazer adubação de correção. Hoje só faz de manutenção, também reduzindo seus custos com a atividade.
Mais tempo O fato de anotar tudo que acontece na propriedade, organizando melhor a produção, segundo Omura e seu filho Marco, já possibilitou aos dois, além de economia em dinheiro, o ganho em tempo para poder melhorar e programar a atividade. Hoje o maior rendimento da propriedade ainda é com soja, mas eles estão investindo também no café.
A cultura da pêra, mesmo tendo enfrentado alguns problemas, também dá bom rendimento. Segundo Marco, a área de 6 mil metros quadrados, que produz a partir de dezembro, pode render 160 caixas da fruta. A pêra é vendida nos supermercados da cidade e outra parte é comercializada no Ceasa, de Londrina. Nos números mais um exemplo: o produtor tem um custo de R$13,67 por caixa e consegue vender no início da colheita, quando há pouca oferta no mercado, por até R$30,00 a caixa.

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