Manejo para recuperação pós-geada
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sexta-feira, 04 de agosto de 2000
Cristina Côrtes De Londrina 
Na avaliação do agrônomo do Departamento Nacional do Café (Denac), Francisco Barboza, as geadas deste ano podem ter menos consequência do que as geadas de 94, quando 50% das lavouras foram recepadas. Pelas vistorias realizadas nas regiões produtoras, o técnico estima que apenas um terço das lavouras precisem ser recepadas este ano.
As severas geadas ocorridas nas madrugadas de 13/7 e 17/7 provocaram a redução de 75% do café paranaense da próxima safra, o que significa menos 2 milhões e 800 mil sacas para 2001, e R$300 milhões que deixam de entrar na economia dos municípios. As lavouras em fase de colheita também deverão ter uma redução de 15 a 20%. Os frutos verdes, que ainda não haviam completado seu desenvolvimento, sofreram com o frio e terão menor peso. A qualidade desta safra também está comprometida, comenta Barboza.
RecomendaçõesEm qualquer situação, Francisco Barboza recomenda que o produtor aguarde até segunda quinzena de agosto, para tomar decisão de manejo. Mesmo porque não estão descartadas outras frentes frias, que podem provocar novas geadas.
Às vezes um pequeno detalhe pode fazer a diferença na recuperação das lavouras para a próxima safra. Se as plantas conservaram alguns ramos baixeiros, por exemplo, deve ser feita uma recepa alta (a 80 cm), preservando os galhos que restaram. Manter estas plantas com pulmão vai fazer a diferença na produção em 2002, porque se ela for recepada totalmente só voltará a produzir em 2003 e boa produção mesmo em 2004, explica Barboza.
Segundo o agrônomo, tem muito produtor que acha que quanto mais cedo cortar a planta, melhor será porque, vai impedir que os danos sejam maiores, mas isto é um engano. O produtor faz o corte muito baixo, a 10 cm, por exemplo, e muitas vezes sem necessidade. E quanto mais baixo for o corte, menor será a próxima produção, alerta.
Adubação e controle de doençasNão é segredo para ninguém que as diferenças de custos de produção são decisivas no sucesso das lavouras. E para que o produtor não aumente seus custos no manejo pós-geadas, precisa de diagnóstico correto de cada área. A adubação e controle de doenças para uma lavoura em recuperação e para uma lavoura em produção são diferentes, diz Barboza.
O tipo de adubo, a quantidade e a época de aplicação são diferentes. Quando uma planta é cortada, perde 70% da raiz, e se o produtor jogar muito adubo, vai gastar mais e não ter o retorno esperado. O controle de ferrugem também deve ser diferente. A doença vai ocorrer mais tarde e com menos intensidade, e o produtor pode reduzir o custo da aplicação em 40% ou 50%.
Não de deve continuar os tratos culturais em lavouras tradicionais com baixa produtividade. Como há perspectiva de aumento de produção e baixo preço para a próxima safra, o produtor terá que ser competitivo. O produtor deve ponderar bem, ou renovar a lavoura de café ou erradica e põe outra no lugar. Não dá para ficar no meio termo e deixar o café ocupando uma área produzindo pouco, alerta.
OpçõesNo caso de recepa, o produtor pode optar também pela dobra, plantando um linha no meio. Esta prática tem algumas limitações, devendo cada área ser analisada de acordo com suas condições.
Em muitas regiões não haverá necessidade de recepa. A natureza já fez a poda e o produtor não precisa ter mais este custo de mão-de-obra para fazer a recepa. Nas plantas novas, o ramo principal deve ser mantido para servir de tutor para os ramos novos.
Francisco Barboza lembra ainda que nas lavouras recepadas é bom utilizar quebra-ventos com guandu ou milho alternado para proteção. Além disso, o milho pode servir como uma renda extra. Como o milho compete com o café, a recomendação é que deva ser plantado a 80 cm ou 1 m da linha do café, em linhas alternadas. Além do milho, pode-se plantar feijão, arroz, e amendoim, comenta Barboza.
Em todos os casos, o agronômo do Denac alerta que é importante consultar a assistência técnica, para tomar a decisão certa. Na semana passada o Sindicato Rural de Londrina promoveu uma reunião entre técnicos e produtores, para orientar sobre o manejo pós-geada. Na opinião de Barboza, os produtores hoje estão muito mais preocupados em buscar informações e orientações.


