Manejo organiza a atividade
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sexta-feira, 20 de agosto de 2004
Cláudia Barberato<br> Reportagem Local 
A pecuarista Vera Grando, de Londrina, já está mudando a rotina no manejo do gado de corte criado a pasto nas suas propriedades no Paraná e no Mato Grosso. De olho no período de estação de monta, que começa em outubro, cerca de 30 dias antes Vera altera o tipo de sal mineral fornecido ao plantel, principalmente para as vacas. ''Uso um sal mais energético,'' diz.
O objetivo, segundo ela, é fortalecer os animais para que entrem em boas condições no período reprodutivo. O trato é feito até final de outubro. Como os pastos ficam em áreas muito quebradas, Vera diz que tem conseguido índices ''razoáveis'' na estação de monta natural nas fazendas: 85%.
No pasto os animais recebem um trato com cana já a partir do final de julho ou início de agosto. Segundo Vera, essa suplementação ajuda na manutenção do rebanho durante o período de seca (inverno), quando a pastagem não têm produção de massa verde suficiente e de qualidade.
Assim como Vera, outros pecuaristas já podem iniciar o trabalho para a implantação do manejo na fazenda, indicado para acontecer no trimestre outubro/novembro/dezembro, em todo o Paraná e Centro-Oeste, podendo se estender até janeiro/fevereiro. O importante é definir uma data para começar e outra para terminar a estação, avisa Thaís Basso Amaral, da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS).
Antes de iniciar o manejo, no entanto, segundo a pesquisadora, o pecuarista deve fazer o exame andrológico nos touros que serão usados - normalmente um touro em boas condições deve cobrir de 25 a 30 fêmeas. O exame serve para descartar machos de baixo potencial produtivo. Os touros também devem ser vacinados contra a brucelose. No caso das novilhas é importante observar o peso mínimo para iniciar a vida reprodutiva ''no nelore, por exemplo, de 280 a 300 kg.''
As novilhas podem entrar na estação um mês antes das vacas já que são solteiras, vão parir mais cedo e precisam de mais tempo para a recuperação. As vacas primíparas (de primeira cria), são uma categoria exigente e merecem atenção especial. Se for preciso escolher para qual categoria dar uma suplementação, avisa Thaís, é melhor que seja para as fêmeas mais jovens.
A eficiência, segundo a pesquisadora, depende das condições corporais dos animais. No terço final de gestação, por exemplo, é preciso que as vacas fiquem num pasto de melhor qualidade e, se for o caso, recebam suplementação.
Uma vaca que emprenhe em outubro, por exemplo, terá seu parto em 300 dias, em final de julho ou início de agosto, período crítico de oferta de alimento. Neste caso, segundo Thaís, o pecuarista pode fornecer antecipadamente sal proteico com uréia, mais um farelo a base de milho, para dar energia, na medida de 0,1% do peso vivo do animal. Ou ainda fazer como a pecuarista Vera Grando, dar cana caso tenha o alimento disponível.
O início da estação de monta depende também das condições da pastagem, alerta o veterinário e zootecnista Euclides Domingos Júnior, da Associação Brasileira de Criadores de Limousin, entidade com sede em Londrina. Quando um animal não tem alimento a primeira coisa que pára é sua capacidade reprodutiva, afirma Euclides. O ideal, segundo ele, é que o manejo comece logo após as primeiras chuvas da primavera, período que os pasto já iniciaram produção de massa verde.
Programando início e fim da estação de monta, segundo a pesquisadora, o pecuarista consegue organizar o manejo de todo o plantel, concentrando trabalhos em épocas distintas, facilitando mão-de-obra e obtendo um gerenciamento melhor do seu negócio.
''Fica definida também uma estação de nascimentos na fazenda e, com isso, pode-se planejar todo o calendário sanitário como vacinação, vermifugação e outros. Outra vantagem é ter animais nascidos de maneira uniforme no rebanho. Quando o touro é mantido o tempo todo no meio da vacada, há irregularidade nas prenhezes e nascimentos em várias épocas, o que dificulta até a mão-de-obra na fazenda,'' garante.


