Especialistas em ovinocultura de corte apontam o Paraná como um grande produtor de genética e também de animais em campo, sendo possível escolher ótimos ovinos para trabalhar. Entre as raças mais procuradas estão Dorper, Santa Inês, Ile de France e Texel.
A zootecnista Jaciani Beal Klank, instrutora do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), atua com ovinos há 11 anos e relata que "o maior número de expositores de qualidade do Estado se reúnem durante a ExpoLondrina, incluindo o pessoal de São Paulo e Rio Grande do Sul". Ela ministrou um curso de manejo de corte para ovinocultores esta semana e mostrou que há muito o que evoluir nesta área.
Um dos maiores problemas da ovinocultura está ligado à nutrição, principalmente das fêmeas. Segundo Jaciani, o produtor acha que o cordeiro só precisa se alimentar melhor no momento da engorda. Eles não selecionam as fêmeas pensando na condição corporal delas e as colocam para cruzar mesmo magras. "O produtor quer vender o cordeiro gordo. Mas para o animal nascer bem, a mãe precisa ser bem alimentada. Problemas relacionados ao atraso de ganho de peso, cordeiro velho para o abate ou mesmo escala de produção estão diretamente ligados à falta de manejo nutricional correto das fêmeas. No caso dos machos reprodutores, há o excesso de ração, o que gera cálculo renal, quando o ideal era eles permanecerem mais no pasto, já que gastam menos energia", explica a zootecnista.
Outro grande gargalo é a falta de controle de verminoses que, segunda Jaciani, "estrangula a ovinocultura estadual". Ela explica que os produtores usam medicamentos e dosagem errados. "Geralmente o produtor vai no vizinho e copia a fórmula (de controle). Os ovinos são os animais mais sensíveis entre todos no que diz respeito à produtividade."
A zootecnista relata que não existe receita mágica para curar a verminose, mas que o manejo básico, como exame de fezes e controle da anemia mensal (Método Famacha), auxiliam muito na prevenção. "Muitos utilizam o mesmo vermífugo do gado, que não funciona nos ovinos. Os animais ficam anêmicos, intoxicados e, em alguns casos, necessitam de transfusão sanguínea."
Por fim, a especialista salienta que é possível desenvolver um melhoramento genético com os próprios animais do rebanho, avaliando algumas características das fêmeas, como o desmame de cordeiro pesado com facilidade, indicando assim uma boa matriz. "Há casos de cooperativas que estão retirando áreas de agricultura para colocar ovinos. É possível que produtores entreguem carne o ano inteiro, temos inclusive frigoríficos que terceirizam o abate. Temos também muitos exemplos de ovinocultores paranaenses que entregam uma carne com maior qualidade do que a congelada que vem do Uruguai, encontrada em grandes redes de supermercados pelo Estado." (V.L.)

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