Manejo mais racional
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sexta-feira, 17 de setembro de 2004
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
A mentalidade do consumidor está mudando. Hoje, quem tem poder de compra pode se dar ao luxo de pagar um preço diferenciado pela carne de melhor qualidade. Começa a se destacar também o desejo em saber como esta carne foi produzida e que tipo de tratamento foi dado ao animal. Notadamente, este desejo já faz parte do perfil de consumidores europeus e, em menor escala, toma corpo em outros países.
Muitas vezes, a qualidade final do produto carne depende do modo como o animal foi criado na fazenda, de seu transporte até o abate e do aproveitamento do produto na indústria. Atender às exigências de mercado representa para o pecuarista um fator determinante na hora de agregar valor à sua atividade.
De olho neste mercado promissor - exigente em qualidade e preocupado com o sistema de produção - alguns pecuaristas têm investido em tecnologias que permitem traduzir a genética e o capricho na nutrição e com a saúde dos animais em um produto de alto valor agregado. Colocam no mercado a carne ao gosto do consumidor e atendendo às mais diversas exigências.
A produção, sem muitos investimentos ou segredos, começa na fazenda, sobretudo nas relações de trabalho e no modo de criação dos animais que devem ter sua liberdade de expressão respeitada. Na indústria, o processo continua no pré-abate, abate e acondicionamento dos produtos.
Se antes o manejo havia sido deixado de lado pelos pecuaristas, a tendência, hoje, é valorizá-lo. ''A tecnologia de processos visa a mudança de atitude do vaqueiro em relação ao animal e representa lucro ao produtor'', sugere o professor Mateus Paranhos, da Unesp de Jaboticabal (SP). Ele esteve na semana passada em Londrina para debater o assunto com técnicos e pecuaristas.
Segundo Paranhos, o manejo pré-abate, que reúne atitudes agressivas que depreciam a qualidade da carne, influenciando cor, sabor, tempo de prateleira e resistência à ação de bactérias é uma página que deve ser virada na história da pecuária brasileira.
''O criador reclama da reatividade do bovino, mas vê o animal como uma máquina e o explora ao máximo, sem respeitar seus limites'', afirma Paranhos. Ele destaca que as agressões diretas são hoje a principal causa de contusões nos bovinos e isso terá reflexo na indústria, muitas vezes com o descarte de pedaços de carne sem aproveitamento pelo frigorífico.
Instalações inadequadas e transporte incorreto também contribuem para aumentar o estresse animal e, consequentemente, afetar qualidade e maciez da carne, de acordo com o professor.''Toda a cadeia paga pelos maus tratos, inclusive o consumidor'', garante Paranhos.


