Manejo influi na produção de carne
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sexta-feira, 14 de maio de 1999
Cláudia Barberato 
Com a intensificação de sistema de produção de carne e redução do ciclo de produção existe necessidade de reduzir idade da primeira cria, tornando os animais mais precoces na área reprodutiva, e fazer com que tenham carcaça acabada em idade mais jovem.
É preciso abater animais mais jovens e a castração usual hoje, que ocorre aos 20/22 meses, é muito tardia para este sistema de produção. A castração é um manejo a ser adotado para os machos de produção de carne e que influencia no bom acabamento, rendimento e qualidade da carne, explica o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande, Kepler Euclides Filho.
Num sistema em que se quer abater animais entre 14 e 24 meses certamente a idade de castração praticada hoje deixa de ser adequada, avalia. A Embrapa terminou este mês um estudo sobre a idade ideal de castração dos machos. Foram avaliados três momentos (nascimento, à desmama e com um ano de idade) para realizar o manejo.
Na desmamaNo sistema de produção para abate do animal mais jovem, como no caso do novilho precoce, o ideal é que se faça a castração mais cedo, garante Euclides Filho.
Segundo ele, na produção do novilho precoce, hoje o animal estaria morrendo por volta dos 20/24 meses de idade e, portanto, a castração teria de ser feita na desmama, por volta dos seis ou sete meses de idade. Outra opção é fazer com um ano de idade.
Para animais que hoje são abatidos ainda por volta dos 30/36 meses o ideal é fazer a castração aos 20/22 meses. A opção de não castrar deve ser feita com machos confinados após a desmama e que serão abatidos no sistema superprecoce. Neste caso, os animais apresentam bom rendimento e acabamento de carcaça.
Na análise da Embrapa, sobre os efeitos da castração ao nascimento, à desmama e aos 365 dias de idade, segundo o pesquisador, verificou-se que não há diferença em termos de rendimento do animal quando o manejo é feito tanto no desmame quanto no primeiro ano de vida do macho.
Mas a melhor opção entre as três idades é fazer no desmame. Isto porque nesta fase (desmame) o animal deve ser mantido por pelo menos 48 horas na mangueira, com feno à vontade, e fica mais fácil cuidar dos curativos e acompanhar seu restabelecimento. O estresse é menor. Além disso, de acordo com o experimento da Embrapa, os animais, segundo Euclides Filho, castrados no desmame, apresentaram bom rendimento de carcaça e menor tempo de confinamento.
Porque castrarA castração deverá ser feita, alerta o pesquisador, dependendo do sistema de produção, de novilhos precoces ou superprecoces. Atualmente alguns frigoríficos, na hora de pagar pela carne, penalizam a carcaça que não tem a cobertura de gordura adequada, uma caracterítica dos animais inteiros, abatidos em idades mais tardias e terminados a pasto.
Com a exigência de classificação de carcaças este cerco pela qualidade deverá apertar a partir do ano que vem. Embora já exista hoje um consumidor mais exigente em qualidade, por enquanto o mercado de carne remunera tudo igual, por peso, e não por qualidade. A tendência é que esses pesos e medidas mudem.
Inteiros ou castrados Quando se tem suplementação dos animais, com dieta mais rica, é possível obter depósito de gordura e uma boa carcaça, mesmo sendo carne de animais inteiros, desde que esses animais sejam confinados cedo e abatidos mais jovens.
O animal inteiro, confinado após a desmama, terá produção de carne de qualidade porque apresenta alta conversão alimentar, maior ganho de peso e carcaça de rendimento, uma vez que consegue fazer boa deposição de gordura e ainda não apresenta dimorfismo sexual que surge em idades mais tardias em animais sem castrar.
A conversão alimentar de inteiros é melhor do que a dos castrados. Mas há problemas no acabamento e manejo a medida que este animai vai ficando na propriedade. Castrar animais mais jovens reduz problemas de manejo como brigas entre os animais e custos de alimentação também.
Quando se confina animais inteiros, mais tarde, mesmo que se tenha boa cobertura de gordura, há também um desbalanceamento de dianteiro e traseiro. Quando o animal é inteiro desenvolve mais a carne do dianteiro, que não é tão valorizada quanto a carne produto do traseiro.


