Manejo favorece a infestação
O Departamento de Fiscalização do Setor de Vigilância Fitossanitária do Núcleo Regional da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento em Londrina tem recebido, ultimamente, reclamações de produtores de soja que tiveram a lavoura prejudicada por fungos de solo.
O chefe do Núcleo, Juarez Moreira da Silva, esclarece que associar o problema aos fungos de solo é uma generalização. Na verdade, o solo é habitado por um complexo de microorganismos, cujas populações são afetadas benéfica ou maleficamente pelo melhor ou pior uso que nós, homens, fazemos deste solo. Isso significa, segundo Juarez Moreira, que o problema fundamenta-se não só naquilo que está sendo relatado nesta safra, mas se caracteriza como uma radiografia do manejo que estes solos vêm recebendo nesta e em safras passadas.
Controle químico Amostragens nas áreas com o problema permitiram à pesquisa relacionar os danos detectados na cultura a duas espécies de fungos, o Sclerotium rolfsii e o Rizoctonia solani. Em 99% dos casos, os problemas relatados estão relacionados à primeira espécie. Deve-se ressaltar, de acordo com o chefe do Núcleo da Seab, que ambas espécies são fungos de solo que se utilizam da palha em decomposição para sobreviver, descartando-se seu controle químico.
Na tentativa de explicar o problema, outras possibilidades também foram descartadas, como má qualidade de sementes e a contaminação do solo. Fica claro, portanto, que o problema nesta safra é decorrente de diversos fatores interligados, dependendo das rotações ou sucessões de culturas feitas pelo produtor; do manejo do solo realizado (solos com camadas de compactação e má drenagem e manejo não criterioso da matéria orgânica são o principal alvo do problema); e de períodos chuvosos seguidos de estiagem e altas temperaturas, que favorecem o desenvolvimento dos fungos.
De acordo com Juarez Moreira, a assistência técnica entende que este problema pode ocorrer todos os anos em locais específicos, em que o manejo do sistema produtivo na propriedade favoreça uma das condições benéficas às espécies de fungos em questão. Por isso, os produtores devem ter como meta um manejo de solo tecnicamente adequado, fazendo uso criterioso de sucessões e rotações de culturas; não relegando a segundo plano a necessidade de um bom manejo, quando ano após ano a melhoria da estrutura física do solo será uma consequência.





