Manejo evita prejuízos futuros
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de janeiro de 2001
Cláudia Barberato De Londrina 
O pecuarista José Mário Perazolo, de Londrina, está terminando a implantação do sistema rotacionado de pastagens numa propriedade onde faz a recria e engorda no Norte do Paraná. O uso do rotacionado, dividindo a pastagem em piquetes, segundo Luiz Fernando, filho de José Mário, deverá otimizar todas as áreas de pasto da propriedade e resultar na produção de mais carne por hectare.
O projeto inicial prevê reunir 200 cabeças em 96 hectares (ha), o que daria uma média de 1.4 UA/ha (unidade animal por hectare). A média brasileira no manejo tradicional de animais a pasto hoje está entre 0,5 UA e 0,8UA.
Recuperar áreas Cada região tem capacidade de lotação de acordo com o estado da pastagem. No caso de Perazolo, seria possível colocar até 2UA por ha, mas lhe faltam animais prontos para isso. Em outros casos os pastos estão muito degradados e não comportam mais do que 0,5 UA por ha.
A qualidade do pasto depende do manejo feito na área. A implantação do rotacionado tem várias funções e a primeira delas é exatamente recuperar a pastagem. Como o pasto fica dividido e o gado só come uma área de cada vez, há tempo suficiente para que o restante se recupere e alcance um bom valor nutricional.
Pasto diferido Para quem tem produção de carne a pasto e precisa manter o peso dos animais durante o inverno, quando a produção de capim é escassa, o recomendando, além de dividir a pastagem em piquetes é reservar uma área e fazer a vedação ou pasto diferido, também chamado de feno-em-pé, não permitindo que os animais pastoreiem no local.
O pecuarista deve estar atento para algumas orientações, a fim de aproveitar ao máximo os benefícios dessa medida preventiva. Com ela, será possível armazenar alimento e, até mesmo, propiciar um ganho de peso durante o inverno. O pastejo diferido ou feno-em-pé consiste em reservar uma área, vedada ao gado, para que a pastagem cresça.
Garantias para o inverno O pasto vedado agora poderá ser consumido de maio a outubro, época em que há escassez de capim, avisa o agrônomo Pedro Katsuki, da Plano Assessoria, que está implantando o sistema rotacionado na propriedade de Perazolo.
Katsuki e o veterinário Luciano Penteado da Silva desenvolvem projetos de manejo de pastagens usando a rotação em piquetes e a vedação. Eles garantem que a curto prazo é possível obter um aumento de 25% a 30% em relação ao resultado do sistema tradicional de produção a pasto. Isso no verão, avisa Luciano. No inverno, segundo ele, é possível manter bons índices de produção, usando o pasto vedado; mas dependendo da situação do capim é preciso adubar as áreas.
No verão o boi ganha mais peso se puder selecionar o que vai comer. No inverno, ele se mantém se tiver o que comer. No manejo rotacionado os animais ficam de 2 a 5 dias em cada piquete. O rodízio, até voltar ao primeiro piquete, demora entre 35 a 40 dias. Com isso há tempo suficiente para que o capim naquela primeira área pastoreada atinja um bom porte.
Manejo integrado Hoje a tendência na produção de carne é trabalhar na propriedade como um todo, com bons animais e boa oferta de alimento, reduzindo custos e produzindo mais por hectare/ano. Para que isso aconteça o pecuarista deve pensar em utilizar todas as áreas de pasto. A tecnificação poderá lhe garantir melhores índices de rentabilidade, mesmo que para isso ele tenha que fazer inicialmente investimentos.
Os técnicos alertam que o pecuarista não deve exagerar no aumento de animais por área porque no verão a pastagem poderá até dar conta, mas no inverno, haverá falta de alimento. O capim não cresce no inverno. Quem quiser trabalhar com lotação alta de animais deverá utilizar (no inverno) uma suplementação para manter o rebanho.
Pesquisa recomenda Segundo a pesquisadora da Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS), Valéria Pacheco Euclides, as forrageiras mais indicadas para o pastejo diferido (área que foi vedada no período das águas) ou feno-em-pé e que apresentam menor perda de valor nutritivo, são a brachiária decumbens e a brachiária brizantha. Já cultivares dos gêneros panicum (tanzânia, mombaça, vencedor, centenário e aruana) e andropogon, de acordo com a pesquisadora, não são recomendadas, pois apresentam caules grossos.
Para obter maior produção com melhor qualidade, a Embrapa Gado de Corte, recomenda que o feno-em-pé seja feito de forma escalonada. Segundo a pesquisadora, o ideal é dividir a área de diferimento em duas partes: 1/3 será reservada em fins de janeiro e início de fevereiro, cujo pasto servirá de alimento para o gado nos meses de junho e julho; e os 2/3 restantes devem ser vedados entre fevereiro e início de março, para fornecer alimentação em agosto e setembro. A área reservada primeiro deverá ser menor porque esse período é mais favorável ao crescimento da forrageira.
Outra sugestão da pesquisadora, é que se faça, já na época de vedação da área, a adubação nitrogenada, com aplicação de, pelo menos, 100Kg/ha de uréia em cobertura. Ela avalia que o produtor que quer estar sintonizado com as orientações do mercado, mais especialmente o da exportação, que vem sendo favorecido pela derrubada recente de barreiras sanitárias para comercialização de carne, não pode abrir mão de técnicas simples e vantajosas como a do feno-em-pé. A vedação poderá garantir, avisa a pesquisadora, que o gado não perca peso, favorecendo a produção do novilho precoce e de carne de qualidade.


