Para o setor florestal, a formiga cortadeira sempre foi uma praga de alto poder destrutivo, segundo avalia o pesquisador Wilson Reis, da Embrapa Florestas. Para controlá-la, é essencial o uso de formicidas. Porém, quando a madeira é voltada para exportação, muitas certificadoras internacionais não veem com bons olhos a utilização deste tipo de produto. "Em 2008 houve a proibição de dois formicidas usados na atividade, mas foram liberados logo depois", lembra.
Reis destaca que as certificadoras internacionais deram um prazo até 2015 para atestar a viabilidade desses produtos. "As empresas que exportam precisam justificar a necessidade do uso dos formicidas", salienta o pesquisador. Já para o mercado interno, a certificação não é exigida e os formicidas disponíveis no mercado são liberados pelo Ministério da Agricultura.
O especialista observa que, para utilizar o controle químico em uma determinada área, as empresas precisam avaliar os danos que as formigas estão causando, além do monitoramento constante da área. "Só a partir daí, ele irá utilizar o formicida recomendado", completa. Contudo, Reis lembra que o produtor que queira vender o seu material para uma grande indústria necessita dessa certificação internacional.

Manejo
O manejo pode ser uma medida de controle da formiga cortadeira, principalmente quando a floresta, seja ela de pinus ou de eucalipto, for direcionada para a produção de papel e celulose. Segundo Reis, os formigueiros que afetam as florestas paranaenses são superficiais. No manejo sem desbastes (corte dos ramos), a luz do sol não chega ao solo, o que deixa o ambiente inabitável para as formigas. "Se o produtor de pinus colher na primavera, por exemplo, período da revoada, possivelmente a sua área terá muitos ninhos", aponta.
Reis completa que o manejo adequado pode reduzir a quantidade de isca, podendo ajudar no processo de certificação, em 2015. Ele explica que encontrar os ninhos de saúvas é bem fácil, pois todos são visíveis. "Existem outras mais difíceis de encontrar", ressalta. Reis completa que muitos produtores focam somente nas saúvas, postergando o problema com outras espécies. "É preciso estimular o produtor no combate à praga. Porém, dizer que está fora de controle é um exagero", destaca. Para ele, é necessário um maior poder fitossanitário. (R.M.)

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