O monitoramento sistematizado da soja em território paranaense mostrou que, nos últimos dez anos, o programa de manejo integrado de pragas (MIP) reduziu o uso de inseticidas pela metade, sem haver diminuição de produtividade da lavoura.

O MIP proporcionou ainda a redução dos custos de produção para o agricultor, equivalente a 2 sacas de soja/hectare ao ano de economia.

Outro benefício foi a maior preservação de agentes de controle biológico natural e de organismos benéficos na lavoura, em decorrência do aumento do tempo entre a semeadura e a primeira pulverização com inseticida.

“Os agricultores que utilizam o MIP fazem a primeira aplicação de inseticida na lavoura em torno de 73 dias após a semeadura. Já os que não são acompanhados pelo programa MIP Soja iniciam a aplicação em torno de 46 dias depois”, compara Samuel Roggia, pesquisador da Embrapa Soja.

Entre os princípios básicos do MIP está o monitoramento da lavoura, com o uso de um pano de batida que indica a quantidade de insetos presentes na lavoura.

A tomada de decisão sobre a aplicação de inseticidas será feita apenas quando os níveis de ação preconizados pela pesquisa sejam atingidos (dois percevejos encontrados no pano de batida, ou, em média, 20% de desfolha para o controle de lagartas). Havendo necessidade de pulverização, recomenda-se o uso de uso de produtos mais seletivos, ou seja, com eficácia pontual no problema.

O MIP Soja é recomendado desde os anos 70, porém, nos últimos dez anos, foram sistematicamente acompanhadas 1.639 lavouras que adotaram as estratégias preconizadas pelo programa.

UNIFICADO

O pesquisador Samuel Roggia explica que, a partir da safra 2013/2014, foi adotado um protocolo unificado abrangendo todas as regiões produtoras de soja do Paraná, inicialmente em 46 lavouras, aumentando nos anos seguintes, sendo em média 164 lavouras/ano ao longo de 10 anos do programa. “A Embrapa participa de ações de MIP Soja em outros estados por meio de parcerias locais. O programa em andamento no estado do Paraná é usado como modelo para expansão do MIP pelo Brasil”, acrescenta o pesquisador.

Os agricultores que utilizam o MIP Soja realizam semanalmente amostragem de pragas na sua lavoura. Essa amostragem é realizada em pelo menos 10 pontos, com a utilização do pano de batida e a vistoria das plantas.

“Quando é necessário realizar controle de pragas, sob orientação do IDR (Instituto de Desenvolvimento Rural), é realizada a escolha do inseticida e a dose mais adequada para cada caso, visando a melhor eficiência de controle e menor impacto ambiental. A cada aplicação de inseticida, procura-se usar inseticidas de grupos químicos diferentes, visando reduzir o risco das pragas se tornarem resistentes aos inseticidas.”

MONITORAMENTO

Somente na última safra de soja (2022/2023), os técnicos do IDR acompanharam 150 propriedades localizadas em 101 municípios paranaenses. O protocolo previu o acompanhamento semanal das lavouras, com o foco principal de monitorar as pragas e propor soluções

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O coordenador estadual do Programa Grãos Sustentáveis do IDR-Paraná, Edivan Possamai, explica que, a partir do acompanhamento sistemático das lavouras, toma-se a decisão de o agricultor fazer ou não o controle das pragas.

“O IDR já conta com agricultores parceiros que têm contato com os extensionistas dentro do tema MIP”, pontua.

Segundo Edivan, o trabalho continuará nas propriedades paranaenses nas próximas safras. “Hoje nós temos 2 mil agricultores do Estado que têm contato com a tecnologia do MIP durante a safra de soja. O trabalho não para, essa sistematização é importante.”

IMPACTOS

Edivan destaca que as boas práticas do MIP geram uma série de impactos positivos. Com a aplicação reduzida de agrotóxicos, um dos principais benefícios é para a saúde do produtor e dos familiares, pois a exposição aos defensivos é menor.

“Também há impacto nas reduções de carbono, visto que, além de serem aplicados menos agrotóxicos, é usado menos combustível nas aplicações pelo trator. Há também uma redução na mortalidade de abelhas, que são pulverizadores naturais produtoras de mel”, acrescenta.

Por fim, o técnico reforça que toda a sociedade ganha com essas práticas, visto que consome produtos com menos agrotóxicos. “Não adianta investir em grandes tecnologias se não houver boas práticas no campo”, conclui.

RECENTE

Nas safras recentes, a Embrapa revisou os níveis de controle das principais pragas da soja para novos cenários produtivos, com cultivares (variedades) de diferentes hábitos de crescimento e ciclos de desenvolvimento.

“A Embrapa desenvolveu cultivares de soja Block, mais tolerantes a percevejos e que proporcionam um cenário mais favorável para o manejo dessa praga pelos agricultores”, destaca o pesquisador Samuel Roggia.

Em conjunto, Embrapa, IDR e Senar têm realizado anualmente eventos de atualização dos profissionais que prestam assistência aos agricultores, quanto aos avanços científicos e tecnológicos relacionados ao MIP Soja. Nessas ocasiões, a Embrapa organiza as demandas por novas pesquisas cientificas a serem realizadas.

SERVIÇO

O produtor de soja que deseja aderir ao MIP ou obter mais informações a respeito pode procurar o escritório do IDR do seu município ou do município mais próximo.

Outra fonte de conhecimento sobre o tema é participar do curso gratuito de manejo de pragas ministrado pelas unidades do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). Mais informações sobre os cursos podem ser obtidas no site sistemafaep.org.br – aba Cursos SENAR-PR.