Manejo de daninhas evita prejuízos
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sexta-feira, 01 de junho de 2001
Cláudia Barberato De Londrina 
O controle e o manejo de plantas daninhas deve ser feito o ano todo. Mas é no inverno que normalmente elas encontram uma facilidade maior de se instalarem no solo. Isto porque muita gente deixa a terra sem cultivo por um período entre a colheita do verão e a próxima safra ou, quando faz algum plantio, usa pouca tecnologia, já que o risco de prejuízos no plantio de inverno é maior.
Mas é exatamente neste período que vale a pena investir um pouco e fazer o manejo das plantas daninhas que aparecem no solo. O trabalho poderá evitar prejuízos não só nas lavouras de inverno, mas também nas culturas de verão. O alerta é do pesquisador da Embrapa Soja, de Londrina, Dionísio Gazziero.
Prejuízos diretos e indiretos A orientação é que esse manejo seja incorporado à rotina das propriedades e realizado durante o ano todo. Além do prejuízo direto que podem causar, como redução no rendimento da lavoura, a presença de plantas daninhas no momento da colheita afeta a eficiência da máquina.
Pode acontecer um embuchamento ou até mesmo quebra do equipamento. É o caso da planta desmódio, que já foi um grande problema nas lavouras nos anos 90 e hoje está controlada. Mas ela é capaz de provocar danos não só na lavoura, mas também na colheitadeira. Muitas vezes uma alta infestação pode até inviabilizar a colheita, avisa o pesquisador.
A presença de ervas daninhas, de acordo com Gazziero, resulta numa colheita suja, o que provoca desconto do valor do produto. A presença da marmelada ou da trapoeraba, ervas daninhas comuns nas lavouras do Paraná, por exemplo, provocam aumento da umidade do grão (caso da soja) na hora da entrega e beneficiamento do produto.
Rotação de produtos Segundo o pesquisador, no momento que o agricultor compra os insumos para a safra que irá plantar, já deve planejar também a compra do herbicida a ser usado. E ele dá uma dica: para garantir que as plantas não fiquem resistentes aos herbicidas utilizados o produtor deve fazer uma rotação de produtos. Ou seja, sempre mudar o produto utilizado e procurar saber como ele age na planta e perceber se a planta não criou resistência.
O pesquisador aconselha que o agricultor faça um manejo de prevenção, com aplicação de herbicidas pós-colheita. Mas essas aplicações têm que ser feitas com orientação técnica para representar um investimento no controle de plantas invasoras e não um gasto a mais para o produtor.
A aplicação de herbicidas, de acordo com Gazziero, deve ser parte de um manejo que engloba cobertura de solo, rotação de culturas, bom manejo da terra, entre outros. O produtor deve conhecer ou diagnosticar a presença das ervas e planejar seu controle. Não existe uma receita pronta. A pesquisa tem suas recomendações que devem ser adaptadas à realidade de cada propriedade.
Outra medida importante é deixar os terrenos o menor tempo descobertos e evitar o pousio da terra sem plantio nenhum. Apostar nos adubos verdes ou alguma cultura de inverno, como a aveia, segundo Gazziero, é uma boa opção. A ocupação da terra não significa o fim das plantas daninhas, mas a tendência é reduzir a presença delas. Por isso cultivar a terra no inverno é também um investimento.
No plantio direto A adoção de um manejo de controle de plantas daninhas, especialmente no plantio direto, segundo o pesquisador, pode trazer ótimos resultados. Com o tempo, o agricultor que adotar um bom manejo não terá mais que aplicar produtos na pós-colheita e fazer apenas a catação de plantas daninhas na área, antes de um novo plantio, já que a infestação ficará bastante reduzida.
Mas o sistema de plantio direto, quando há falta de controle e manejo de ervas daninhas, pode também facilitar o aumento da população de plantas, já que elas encontram um meio propício de desenvolvimento, avisa o pesquisador.
As plantas que produzem sementes pequenas, como buva, maria mole e capim amargoso, entre outras, e são carregadas pelo vento, caem e germinam bem no terreno com palhada. Por isso é importante que o agricultor fique de olho na área; que conheça o que se passa ali, qual o comportamento das plantas e quantidade que aparecem. Isso possibilitará que ele faça a prevenção, evitando que essas plantas produzam sementes em áreas onde não se tem agricultura, como beira de estradas, e mais tarde sejam levadas para dentro das lavouras.
No ano todo Hoje as plantas invasoras mais mais comuns são o picão preto, a marmelada, o amendoin bravo, o desmódio, a guanxuma e a trapoeraba. Muitas delas, como o picão preto, por exemplo, aparecem tanto no inverno quanto no verão. Outras que se desenvolvem na entressafra, quando o terreno não tem lavoura, são a rubim e o cordão-de-frade.
O descuido de muitos agricultores, segundo o pesquisador, pode resultar em grandes prejuízos. Muitas vezes quando percebe o problema a situação é difícil de controlar e demandará custos maiores para a eliminação das plantas daninhas, afirma Gazziero.
Um exemplo foi o que aconteceu com o desmódio. A planta, que estava na maioria das beiradas de estradas do Paraná foi disseminada por máquinas colheitadeiras que saíram do Estado para colher soja no Mato Grosso do Sul e, ao retornarem para as lavouras paranaenses, acabaram trazendo o desmódio para dentro das lavouras. Se o controle tivesse sido feito antes, elas não infestariam as lavouras.
Como é uma planta de alta capacidade de reprodução (algumas, durante o verão têm capacidade de produzir até 600 sementes que caem no solo e germinam transformando-se em novas plantas) causou grandes prejuízos nas lavouras do Paraná, conta Gazziero. Por isso, aconselha o pesquisador, a limpeza dos equipamentos hoje é tão importante quanto o olho do agricultor no campo, para visualizar a presença de plantas invasoras.
Outra recomendação de manejo é o uso de sementes de boa procedência para não disseminar problemas na lavoura e fazer rotação de culturas na propriedade, especialmente nos terrenos onde se percebe maior infestação.


