Manejo correto permite convivência com a praga
De acordo com o especialista em pastagens, José Pedro Garcia Sá, coordenador da Área de Zootecnia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), há cerca de 20 anos houve um grande aumento no uso da braquiária decumbens pelos pecuaristas, por ser um material mais rústico e, portanto, menos exigente. Trata-se, porém, de uma planta suscetível ao ataque das cigarrinhas. Isto, somado ao desmatamento desenfreado e ao manejo inadequado dos pastos, contribuiu para que a praga começasse a aparecer em grande quantidade.
Foi quando a pesquisa passou a trabalhar no sentido de criar materiais resistentes à praga, como o brizantão, que são, porém, menos produtivos. Na opinião de Sá, é possível a convivência com a cigarrinha, através de manejo integrado e, em casos extremos, uso de inseticida químico. O manejo deve ser feito mantendo-se a fertilidade do solo compatível com o tipo de pastagem, para que esta, bem nutrida, tenha melhor resistência (capim-elefante e napiê, por exemplo, são mais exigentes em termos de fertilidade) e usando o fungo metarhizium para controle biológico.
A vantagem do uso do fungo (um inimigo natural da praga) é que sua ação se estende também às áreas vizinhas. Segundo o técnico agrícola da estação experimental do Iapar em Ibiporã, Márcio Alcântara Batista, as cigarrinhas se contaminam por contato e geralmente se dirigem para outras áreas, onde morrem, disseminando os fungos. Já os inseticidas agem apenas no local.
José Sá lembra que no caso do capim-estrela, também se recomenda o pastejo intensivo, de forma que as plantas sejam cortadas rente ao solo. Isso expõe as ninfas à radiação solar, provocando a sua dessecação. Mas, é preciso evitar o pastejo intensivo prolongado, que pode comprometer a recuperação da pastagem, causando dano pior do que o da própria cigarrinha. O pastejo intensivo (15 a 20 dias) deve ser seguido, necessariamente, por um período de descanso de dois a três meses. Outros capins, como colonião e napiê, não podem ser pastejados muito rente ao solo, pois isto prejudicaria a rebrota. (S. L.)





