A consequência da seca no final de 99 e início deste ano vem agora, com a velocidade de rebrota mais lenta nas pastagens, produção menor de massa verde e aparecimento de invasoras. É possível, a partir de alguns cuidados, acelerar o crescimento e evitar maiores problemas com adoção de um sistema itensivo de manejo de pastagens (recuperação e adubação). Manejando bem, pode-se colocar mais animais por área e, consequentemente, obter maior rentabilidade na produção de carne.
A orientação é do professor Moacyr Corsi, da Esalq/USP, de Piracicaba (SP). Corsi esteve em Londrina na última segunda-feira, dia 2, para uma palestra na Sociedade Rural do Paraná, em parceria com o Clube Amigos do Campo, da Gerdau.
Manejo agoraA época mais adequada para iniciar o manejo intensivo de pastagens é o período de inverno e início das chuvas. Resultados menos animadores são conseguidos, quando o manejo é iniciado no verão. Segundo Corsi ainda dá tempo, este ano, de iniciar o procedimento.
No investimento de manejo de pastagens, de acordo com o professor Corsi, o principal aspecto é relacionado ao aumento da taxa de lotação de animais. ‘‘A adoção do manejo intensivo, quando bem feito, aumenta a produtividade do pasto e dos animais.’’
Rendimentos maioresPara se ter uma idéia, garante Corsi, quando se maneja intensivamente a pastagem, o custo de produção da arroba fica ao redor de R$16 a R$18, enquanto o preço da venda é de R$40 a R$41. ‘‘Esse valor parece irreal ao produtor, uma vez que ele não sente como se isso fosse possível’’ – observa o professor.
Corsi explica que o produtor trabalha com baixa lotação de animais por hectare, resultando em menores ganhos em produtividade.‘‘Se houvesse preocupação em melhorar as taxas de lotação, sem prejuízo do desempenho animal, o que é possível, a pecuária estaria entre as alternativas mais competitivas de uso da terra, comparada às melhores rentabilidades agrícolas.’’
Normalmente o pecuarista dá ênfase sobre o desempenho do animal, avaliando apenas ganho de peso, e se esquece, de certa maneira, da taxa de lotação; ou ainda aceita uma lotação menor do que poderia ter, ao redor de meia unidade animal (UA) por hectare (ha), que é a média brasileira. ‘‘Se o pecuarista aumentar o número de animais por área, fornecendo bom capim, pode aumentar em muitas vezes a lucratividade.’’
Ganho em dobro‘‘O aumento de desempenho pode ser até duas vezes mais’’, garante Corsi. Na produção de carne, por exemplo, passando de um ganho de 400 gramas para 700 gramas por dia. O professor informa que uma das maneiras de aumentar a taxa de lotação animal é melhorar a eficiência do pastejo do rebanho, perdendo menos. Outra forma é aumentar a produção das plantas forrageiras, com correção de solo e adubação.
No caso de uma propriedade planejada a orientação é para que o investimento seja feito primeiro para reduzir a deficiência de pastejo, fazendo a rotação em piquetes, onde os animais pastoreiam por determinados períodos e depois seguem para outras áreas.
Há a necessidade de divisões e subdivisões nas pastagens que deverão ser adubadas e corrigidas. Hoje, segundo Corsi, estima-se que cerca de 70% a 80% da forragem produzida não são aproveitados, fazendo com que as lotações sejam baixas, de meio animal por hectare.
Apenas com a rotação é possível aumentar a lotação para até 2 UA/ha, sem a necessidade de conservação de forragem ou preocupação com alimentação no inverno para os animais, a não ser que as condições climáticas sejam muito severas. O produtor, assim, estará apenas aproveitando a perda de forragem que ocorre no campo.
Mal uso do pastoAs perdas ocorrem devido a mau redimensionamento do pastejo e, principalmente, pelo decréscimo da qualidade da forragem não pastejada no tempo certo. Essa é uma perda que seria ‘‘invisível’’, aquela em que não se permite a planta atingir níveis de produtividade possíveis. ‘‘Há casos em que o gado come somente numa área, deixando tudo rapado, e em outras sobra capim que passa do ponto de qualidade nutricional.’’
A planta mantida sempre rapada, rente ao solo, é impedida de desenvolver sua capacidade produtiva, de crescer. Essa perda, segundo o professor Corsi, é considerada maior do que aquela em que o produtor vê a forragem no campo que não foi consumida.
Essas perdas são verificadas na propriedade através de áreas superpastejadas (malhadouros) e áreas subpastejadas não consumidas pelo animal durante o período de crescimento rápido da forragem (período das chuvas).
Trabalho continuaO próximo passo na intensificação e manejo das pastagens seria a adubação e correção do solo para elevar a produtividade da forragem e a lotação dos pastos.
Muitos produtores têm resistido ao uso da adubação, por utilizá-la em condições impróprias, sem preocupação com o manejo dos pastos. Quando isso ocorre é bastante frequente o fracasso da adoção da adubação, devido ao elevado custo motivado pela perda da forragem produzida. A adubação deve ser feita por pessoas que têm experiência em nutrição de plantas.
O potencial de produção dessas pastagens, manejadas e adubadas corretamente, chega a níveis de 12 a 15 UA/ha, explorando gramíneas tropicais no Centro-Oeste. Em áreas mais favorecidas, com relação a temperatura, os valores têm atingido acima de 15 UA/ha.
Corsi ressalva que a medida que, quando as lotações se afastam de cerca de 2 UA/ha, há necessidade de se preocupar com a conservação de forragem ou alimentação do rebanho no inverno.
Como alternativa, em regiões cuja precipitação ocorre durante o inverno, é possível sobressemear nas pastagens tropicais plantas forrageiras de inverno como aveia, azevém e leguminosas. Essa medida permite extrair lotação ao redor de 12 UA/ha durante grande parte do inverno.
Para lotação mais elevada é necessário a conservação de forragem na forma de silagem ou feno, com preferência para gramíneas forrageiras tropicais que, implementadas durante o verão, têm produtividade significativamente maior do que as temperadas. ‘‘Desse modo, áreas menores de cultivo com a tropical possibilitam atender a demanda do rebanho.’’
Alimentos suplementaresAtualmente, segundo Corsi, o uso de silagem e gramíneas tropicais associadas com a exploração de cana e sobresemeio de gramíneas temperadas possibilitam garantir desenvolvimento contínuo dos animais durante o ano e abate ao redor de 24 meses com peso de 16 arrobas ou mais.
‘‘A facilidade é maior flexibilidade no planejamento de produção de silagem garante maior aceitação dessa técnica junto aos produtores quando comparado ao feno’’, admite Corsi. Segundo o professor, embora a produção de feno seja mais complicada, porque demanda uma disciplina bastante rígida do produtor em relação a atividade (quando estiver sendo realizada há necessidade de reduzir a possibilidade de perda do material pela chu va) pode ser uma cultura ‘‘altamente’’ rentável.