Hoje grande parte dos pecuaristas brasileiros utiliza apenas meio animal por hectare, quando o ideal seria colocar, no mesmo espaço, até nove animais e ter um ganho superior de 18 vezes se adotassem técnicas de manejo correto da pastagem.
O produtor rural está deixando de ganhar dinheiro no campo, por desconhecer ou não adotar técnicas de manejo da pastagem, especialmente a braquiária, uma espécie de capim muito comum no cerrado brasileiro e em outras regiões do País.
As afirmações são do professor Moacir Corsi, da Escola Superior de Agricultura Luíz de Queiroz (Esalq-USP), de Piracicaba (SP), que estará participando neste final de semana, no SESC de São José do Rio Preto (SP), do 3º Encontro Terra Nova de Pecuária.
Maior produtividadeO professor Corsi explica que, se bem utilizada, a braquiária pode oferecer ao produtor rural uma rentabilidade maior que a conseguida atualmente. ‘‘Para isso, são necessários alguns cuidados quanto à adequação e manejo das pastagens, além das técnicas relacionadas à manutenção desses animais no campo’’.
Corsi garante que, se as técnicas forem bem aplicadas, a produtividade será de 40 a 60 arrobas de carne por hectare. Segundo ele, atualmente no Brasil a produtividade é de 3 a 4 arrobas por hectare.
AdubaçãoO objetivo de um programa de manejo de pastagens é aumentar a lotação animal, sem prejudicar a performance ou o desempenho de ganho de peso vivo/dia por animal. É feito com pastejo rotacionado e níveis de adubação, conforme a necessidade do aumento da lotação animal.
É possível, segundo o professor, em cada propriedade, definir a quantidade de área a ser intensificada e os níveis de adubação propostos para aquelas áreas. A intensificação em cerca de 3 a 10% do total da área de pastagem da propriedade poderá elevar consideravelmente a produtividade animal nas áreas intensificadas e dobrar ou quadruplicar a produtividade nas fazendas.
Desse modo, garante Corsi, o proprietário terá melhor retorno através da intensificação da produção, ao invés de adquirir mais área para produzir.
‘‘Resultados têm demonstrado que o custo da produção de arroba ganha em sistemas intensivos é de R$16 a R$18, enquanto o preço de venda da arroba é de R$36 em média, indicando uma lucratividade de 50% na atividade de intensificação, além do que dá aumento de produtividade, fazendo com que o produtor tenha escala de produção, e garante bom retorno da pecuária de corte’’.
Hoje, em muitas áreas de pasto no Brasil, a lotação tem sido de meia unidade animal por hectare, ganhando 4 arrobas. Mas, é possível colocar 3 a 4 animais no mesmo hectare e ganhar 12 a 16 arrobas na mesma área.
Amostra do soloA adubação das pastagens deve seguir alguns procedimentos, começando pela coleta correta de amostras do solo, na profundidade de 0 a 20 centímetros, e algumas amostras na profundidade de 20 a 40 centímetros.
Amostra correta, explica Corsi, quer dizer coleta de pelo menos cerca de 20 a 25 subamostras, que representam uma área homogênea (mesmo tipo de solo, mesma utilização há pelo menos dois anos, entre outra exigências) da propriedade. Deverão ser coletadas de 20 a 25 subamostras que, depois de misturadas, deverão compor uma única amostra de 300 gramas que será enviada ao laboratório de análise.
Recomendação técnicaA interpretação da análise de solo e a recomendação para a adubação deverão ser feitas pelo agrônomo responsável pelo manejo da pastagem. Deve-se pensar não só em aumentar a produção das pastagens, mas também manejar a área, para que não aconteçam perdas pelo pastejo, o que tornaria o trabalho antieconômico.
‘‘Às vezes produz-se muito pasto e existe número insuficiente de animais para colher a área, ficando forragem perdida no campo.’’ Segundo o professor Corsi, essa é uma das principais causas que determinam o fracasso para quem inicia a intensificação das pastagens, sem o auxílio de técnicos responsáveis pelo manejo.
A alternativas, aconselha Corsi, é fazer o manejo rotacionado, para que todas as áreas de pasto sejam consumidas. Outra alternativa é, quando necessário, fazer a conservação da forragem na forma de feno, silagem ou corte. É necessário fazer ajustes entre lotação e produção de forragem ou ajustes em relação à qualidade da forragem e exigência nutricional dos animais.
A braquiária representa cerca de 75% ou mais das áreas de pastagens do Brasil. Mais de 50% dessas áreas estão apresentando estágios diferentes de degradação. A recuperação e manutenção só pode ser obtida através do manejo e recuperação da fertilidade do solo. Em algumas áreas só a reforma é indicada e, segundo o professor Corsi, fazer isso não é tanto um problema financeiro para os produtores, mas sim ‘‘um problema de vontade de fazer.’’

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