Nessa época do ano, as pancadas mais fortes de chuvas podem trazer dois sérios problemas para as lavouras de soja. O primeiro deles é o acamamento das plantas. Segundo Henrique Debiase, pesquisador da Embrapa Soja, para resolver essa questão os produtores paranaenses têm optado por variedades de soja com ciclos precoces e de porte mais baixo, cujo objetivo é reduzir os efeitos das rajadas de vento. Porém, Debiase frisa que esse efeito climático acontece no Estado de forma isolada, não sendo uma preocupação.
A chuva sempre é bem-vinda para o bom desenvolvimento da safra, mas tudo em excesso pode ser prejudicial. O pesquisador da Embrapa explica que nessa época do ano chove muito, o que dificulta o controle de pragas e doenças, principalmente a mais temida pelos agricultores, a ferrugem asiática, que resulta da combinação umidade e alta temperatura. Além disso, Debiase completa que um longo período de tempo encoberto pode reduzir a produtividade da lavoura devido à baixa luminosidade, fonte de energia utilizada pelas plantas para a realização da fotossíntese.

Solo
Mesmo impossibilitado de realizar qualquer tipo de manejo no solo nessa altura do campeonato, o agricultor que tem problemas com erosão pode adotar uma série de medidas que aliviam os efeitos das fortes chuvas. O pesquisador da Embrapa Soja sublinha que o excesso de confiança no plantio direto pode ser prejudicial. Segundo Debiase, o sistema ajuda, mas não é suficiente para conter uma enxurrada, por exemplo.
A construção e a manutenção adequada dos terraços e das curvas de nível são fundamentais para não ocasionar uma erosão. Em áreas de produção que ficam próximas a estradas, por exemplo, o pesquisador da Embrapa Soja destaca que o produtor deve ter uma noção para onde a água vai escoar. Para minimizar os efeitos dessas enxurradas, os agricultores devem adotar sistemas de contenção de água.

Ferrugem da soja
Calor e alta umidade são as condições perfeitas para infestação da ferrugem da soja. De acordo com dados do Consórcio Antiferrugem, o Paraná já registrou neste ano dois focos da doença, um no município de Arapoti e outra em Castro. Os focos foram analisados e constatados pelo laboratório da Fundação ABC.
Na safra 2012/13 o Paraná segue na liderança no número de ocorrências da doença, com 14 casos confirmados, igual número registrado no mesmo período do ano passado, segundo dados obtidos pelo site do Consórcio Antiferrugem. Em segundo lugar segue o Mato Grosso, com 10 focos confirmados, seguido de São Paulo, com 6 ocorrências. Em todo o Brasil já foram encontradas na safra 2012/13 um total de 40 focos da doença, mesmo índice encontrado no ciclo anterior. (R.M.)

mockup