Manejo adequado proporciona florestas sadias
Atuando na silvicultura desde 1966, Pedro Guimarães possui uma vasta experiência sobre manejo de florestas. Engenheiro florestal de formação, o produtor de 649 hectares de Pinus na região de Imbaú (Campos Gerais), revela que a vespa-da-madeira só atinge aqueles que não cuidam da área. Com uma produção que chega a 600 toneladas por mês de madeira, a praga não é problema para Guimarães.
Na opinião do produtor, o desbaste é uma das técnicas de manejo mais eficientes para evitar a vespa-da-madeira. "Muitos produtores não fazem o desbaste, o que aumenta a probabilidade de vespa", frisa. Guimarães, que também é auditor florestal, explica que o primeiro desbaste acontece quando a floresta atinge 7 anos e são cortados 50% do talhão.
O segundo desbaste ocorre quando as árvores atingem 10 anos, período em que também deve ser eliminado 50% das árvores para reduzir a competição entre elas. O terceiro desbaste acontece com 13 anos, quando novamente são eliminadas 50% das árvores. "Com esse manejo, o produtor abre o espaço entre as árvores antes que elas entrem em competição", sublinha. Há três anos o produtor identificou a praga na região, mas, com o manejo adequado, sua área de cultivo nunca sofreu ataque.
Além do desbaste, a cada 20 hectares Guimarães destina uma árvore armadilha por prevenção. "O manejo adequado serve para manter a floresta saudável e economicamente viável", sublinha. Para ele, a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) deveria cobrar mais dos produtores a realização do desbaste e prestar o apoio técnico.
Para verificar se uma área precisa ou não de desbaste, Guimarães dá algumas dicas. Uma delas é a verificação de vegetação entre as árvores. Se a insolação for abaixo de 30%, o que não proporciona o crescimento de plantas no solo, o desbaste é obrigatório. Ele acrescenta que um talhão sadio é aquele com boa iluminação natural e com um tronco sem muitos ramos. Tudo isso, avalia ele, evita o estresse das árvores.
O especialista critica outros produtores que não fazem o desbaste pensando no engrossamento futuro do troco. Além de facilitar a infestação da vespa, dificilmente as árvores produzirão toras grandes devido à competição entre elas. Outro fator que pode facilitar a presença da praga é a demanda por toras finas das indústrias de papel e celulose. Com receio de não atendê-las, muitos produtores deixam de fazer o desbaste, facilitando a entrada da vespa. A FOLHA percorreu a região de Imbaú e constatou que há diversas áreas com e sem a realização de desbaste. Algumas delas parecem até estar abandonadas e outras, por sua vez, com todo o sistema de manejo em dia.
Cooperativa
Para viabilizar a comercialização de madeira na região dos Campos Gerais, Pedro Guimarães, em parceria com outros 25 produtores de florestas, deve criar em breve a primeira cooperativa de silvicultores do Estado. (R.M.)





