Uma das vantagens no cultivo da mandioca em comparação com culturas de maior escala, como soja e milho, é o seu alto índice de rusticidade. Antonio Souza, engenheiro agrônomo do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) de Paranavaí, explica que o tubérculo requer um índice menor de nutrientes do que outras culturas. ''A mandioca necessita de solos arejados e nutrientes básicos como fósforo e potássio. Além disso, a escolha de uma variedade correta é fundamental'', explica.
Segundo ele, o Noroeste do Paraná possui as melhores condições de clima e solo para a produção do tubérculo. ''Nessas áreas a terra não fica encharcada. E esse é o principal vilão da atividade porque água em excesso apodrece a raíz'', observa Souza. Outro fator importante a que o agricultor deve ficar atento é quanto aos cuidados com a erosão, já que a cultura é suscetível porque possui raízes extensas. O especialista recomenda a implantação de plantio direto e rotação de cultura para que o solo não se deteriore.
Em uma área 400 hectares plantados com mandioca, o produtor Ivo Pierin evita o risco de erosão por meio da rotação com pastagem e milheto. Segundo ele, esse tipo de manejo permite sempre um bom índice de produtividade na lavoura, que hoje gira em torno de 30 toneladas por hectare. ''Cultivar o tubérculo é um pouco mais fácil do que outros segmentos da agricultura, mas também requer uma série de cuidados''.
Pierin sublinha que o primeiro deles é a correção do solo. A medida, ressalta ele, oferece resposta imediata. ''Mas é preciso se atentar para a forma correta de plantio. O produtor exemplifica que o padrão médio de espaçamento entre ruas deve ser de 70 centímetros a um metro e a configuração da profundidade das covas deve variar de 40 a 70 centímetros. Toda essa atenção, garante Pierin, resulta em uma lavoura produtiva e homogênea.
Sanidade
Antonio Souza, do Emater, acrescenta que o controle de plantas invasoras é outro cuidado imprescindível. O agrônomo recomenda que quando há um foco de infestação, o produtor deve procurar um técnico para dar as devidas orientações a respeito da aplicação de defensivos. Em termos de pragas, Souza explica que o besouro Migdólus, mesmo inseto que atinge a cultura da cana-de-açúcar, é um dos principais causadores de estragos na lavoura e pode comprometer toda a produção. Novamente o especialista recomenda aos produtores que procurem a entidade para efetuar as primeiras medidas de controle biológico.
Além disso, Souza orienta os produtores a utilizarem variedades tolerantes às doenças que mais aparecem em uma determinada região. Segundo o pesquisador, no Noroeste do Paraná, a cochoanilha, a mosca-branca, os percevejos e os ácaros são os mais encontrados. ''O produtor deve ficar sempre atento, principalmente nos primeiros 120 dias de vida da planta, quando está mais suscetível'', observa. (R.M.)

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