Mandioca sem destino
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sexta-feira, 06 de março de 2015
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
A famigerada Lei da Oferta e Procura dita a economia e, de forma implacável, cria oportunidades ou situações de desespero para diversos segmentos. No agronegócio não é diferente e, durante a safra 2014/15, os produtores de mandioca do Paraná estão sentindo na pele as dificuldades de quando o mercado está com produto excedente.
No início do ano passado a situação era completamente diferente. Empolgados, os produtores comemoravam os preços elevados, a demanda crescente das indústrias de farinha e fécula cujo Paraná é o maior produtor - e também o envio de produtos finais e matéria-prima para o Nordeste, principal produtor nacional que passava por dificuldades. Porém, este ano a situação sofreu uma reviravolta. Com a normalização da safra no Nordeste (após uma quebra drástica em 2013), aumento do plantio e produção no Estado e ritmo lento da indústria, a retração dos preços foi inevitável, bem abaixo dos custos de produção.
Muitos produtores paranaenses, principalmente da região Noroeste, estão retardando a colheita. Outros estão completamente sem dinheiro para pagar as áreas de arrendamento, financiamentos realizados e avaliam se a colheita será possível. As regiões de Paranavaí, Umuarama e Cianorte correspondem a 80% da mandioca produzidas no Estado, totalizando cerca de dois mil produtores. Segundo a Seab, os prejuízos atuais giram em torno de R$ 3 mil por alqueire.
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), em conjunto da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) e Departamento de Economia Rural (Deral), enviaram um ofício ao Ministério da Agricultura (Mapa) buscando apoio do governo federal, mas não houve resposta até o momento (veja o box).
De acordo com os números do Deral, a safra 2014/15 deve fechar em 4,10 milhões de toneladas, alta de 12% frente aos 3,67 milhões de toneladas da safra anterior. Inclusive, a área sofreu incremento de 9%, atingindo a marca de 165,1 mil hectares (ha). Para o técnico do Deral especializado na cultura, Metódio Groxko, a situação era prevista devido ao aumento significativo da produção, mas ele não acreditava que os preços cairiam tão rapidamente. "A safra é cheia em todos os Estados, principalmente no Nordeste, e isso está pesando agora. Outra situação é que, como o ciclo do produto é mais extenso, muita mandioca foi plantada no ano passado e deve ser colhida só agora", explica ele.
Groxko relata que há dois cenários de produtores. O primeiro é daqueles que tem a posse da terra e podem, teoricamente, segurar o produto na área para uma colheita posterior, torcendo para um incremento dos preços. A segunda situação é mais complexa e atinge muitos produtores. São aqueles que arrendaram as terras para aproveitar o bom momento do ano passado e agora terão que amargar o prejuízo. "Nesse caso, a colheita é a única opção. De qualquer forma, não se prevê elevação de preços para os próximos meses. Os valores não cobrem os custos operacionais. É uma situação de oferta e demanda extremamente complicada", complementa.



