Os agricultores do noroeste paranaense já iniciaram o plantio da safra de verão. Cerca de 70% da soja, 95% do milho e da mandioca e 60% do algodão já foram plantados em mais de 300 mil hectares (ha) da região de Umuarama. O destaque da safra de verão é o aumento da área de mandioca, com um crescimento de 15 mil ha em relação ao que foi cultivado na safra passada (28 mil ha).
O aumento se deve aos altos preços praticados nos dois últimos anos, que cresceram de R$ 40 a tonelada (t) para R$ 240/t, com picos de R$ 320/t em fevereiro deste ano. A expectativa é colher até 912 mil t no ano que vem.
''Os pequenos produtores, estimulados pela boa remuneração, estão trocando o algodão pela mandioca, que pode ser cultivada em áreas de pastagem'', afirmou o economista do Departamento de Economia Rural (Deral) da secretaria de Agricultura de Umuarama, Ático Luiz Ferreira.
Ele acredita que a concorrência da mandioca limitou o crescimento da área de cultivo do algodão, que será apenas dois mil ha maior que a da safra 03/04. ''A estimativa de produção gira em torno de 21 mil t de fibra, pouco mais que as 19,8 mil t obtidas este ano, em decorrência do aumento da produtividade da terra'', analisou o economista.
Segundo Ferreira, a área de milho também deve ser menor no Arenito. A previsão é reduzir o plantio em 4 mil ha. ''Calcula-se a colheita de 44 mil t do grão contra as 52,8 mil t colhidas na última safra.''
Já a soja deverá experimentar um aumento de 6 mil ha na safra 04/05. ''Os produtores que se prepararam para a soja preferem deixar o milho para o inverno'', frisou o economista. Ferreira estima a produção de 574 mil t da oleaginosa no próximo ano.
Histórico Quatro anos de investimentos resultaram no aumento de 600 mil ha na área destinada ao cultivo de grãos no arenito paranaense. Só este ano, o governo do Estado liberou R$ 250 milhões para financiamentos no plantio da soja, milho e cereais na região. Com outros R$ 200 milhões, os produtores poderão recuperar pastagens ou repor matrizes, a partir das linhas de crédito criadas para custeio e investimentos pecuários.
O desenvolvimento do arenito é comprovado na região de Umuarama que, segundo dados da secretaria municipal de Agricultura, faturou R$ 96 milhões com o comércio de 7 milhões de sacas de soja na última safra. ''A área cultivada com soja somava 97 mil ha em 1997. Hoje já são 196 mil ha'', afirmou o prefeito Antônio Fernando Scanavacca.
Segundo ele, houve uma evolução na arrecadação de impostos com o aumento na produção de soja. Em 1997, apenas 1% do ICMS era representado pela oleaginosa. Hoje, o valor chega a 10%. O setor de máquinas e equipamentos também vivencia um bom momento. ''Desde a implantação dos convênios já foram adquiridos 865 novos tratores e 107 novas colheitadeiras no município'', disse Scanavacca.
No mesmo período aumentou também o valor das terras. Um alqueire que custava até R$ 3 mil, hoje não é adquirido por menos de R$ 10 mil. ''Esse aumento é impulsionado pela boa produtividade que já chega a 160 sacas de soja/ha'', calculou o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneguette.
Para o presidente do Sindicato Rural de Umuarama, Renato Fontana, a produtividade dos agricultores do arenito já se equipara a das demais regiões do Estado. Isso ocorre porque muitos produtores tecnificados estão migrando para a região para trabalhar em regime de arrendamento. ''A vocação agrícola da região mudou. Antigos criadores de boi estão arrendando ou produzindo grãos, pois a agricultura rende muito mais'', contou.
Ele ressalta os benefícios que a agropecuária trouxe ao meio urbano. ''A evolução da produção de grãos é diretamente proporcional à criação de empregos ligados ao setor, como venda de insumos, construção de silos, entre outros'', completou Fontana. Até o final de 2002 existiam na região somente dois silos para a estocagem das safras. No ano passado, mais três foram construídos e a previsão é que outros três sejam concluídos ainda este ano.

mockup