Os produtores João Aparecido Galzoni, de Jaguapitã, e João Batista Franscichini Filho, de Apucarana, estão cultivando a mamona como alternativa de renda em pequenas áreas, desde o ano passado.
Na propriedade de João Galzoni a produção média foi de 2.000 kg/ha. No meio da mamona cultivou também melancia, que junto com a lavoura de café, nos quase 10 hectares de terra, fazem o sustento da sua família. O agricultor vendeu a mamona na média de R$ 0,65 o kg e teve um faturamento bruto de R$ 1.300/ha. Descontado o custo de produção de R$ 250/ha sobrou R$ 1.050/ha. O novo plantio está previsto para depois de 20 de setembro e a colheita deverá acontecer em janeiro.
João Franscischini colheu 1.500 kg/ha e vendeu a R$ 0,65 o kg. O total bruto ficou em R$ 975,00. O plantio foi feito no meio do café. A cultura, além de ser lucrativa, garante o agricultor, serviu de proteção ao café novo já instalado na propriedade como corta vento.
Entusiasmados com os resultados da cultura, este ano, os agricultores vão continuar. Em meados de setembro será realizado plantio, desde que o clima ajude: ''precisa chover e esquentar'', dizem.
Uma indústria que está estimulando o plantio informa que o custo por hectare, com mão-de-obra familiar, fica em R$ 250. Um hectare produz em média 2.500 kg de mamona ou 41 sacas de 60 kg. A empresa está pagando atualmente R$ 0,60 pelo kg.
O cultivo da mamona está sendo incentivado em alguns municípios do Norte do Paraná, com apoio de extensionistas da Emater, da Secretaria de Agricultura e da empresa A Azevedo Indústria e Comércio de Óleos, de São Paulo, com representação em Londrina.
O plantio é incentivado em pequenas propriedades como alternativa de renda para a agricultura familiar.
''Hoje temos dificuldade de mão-de-obra nas propriedades e a mamoma pode ajudar nisso'', afirma o agricultor João Franscichini. Outra vantagem, segundo ele, é que a empresa que está incentivando o cultivo na região apresenta contratos de garantia de compra e preço mínimo.
''Alternativa para pequenas e médias propriedades, a mamona deve voltar ao cenário do Norte do Paraná'', garante Antônio Nésio, o representante da A. Azevedo. Ele tem participado de eventos como a Expotécnita, em Sabaúdia, apresentando propostas de contratos para plantio e compra da produção de mamona.
Segundo Antônio Nésio, 85% da mamona produzida no Brasil está na Bahia. Em outros Estados que já tiveram plantios, a mamona nunca foi encarada como uma cultura para geração de renda, em muitos lugares era tida como mato e crescia à beira de estradas.
Há dois anos Nésio veio para o Norte do Paraná para pesquisar o potencial do cultivo. O objetivo era conseguir produção para abastecer a indústria. A mamona tem grande potencial de uso: na indústria de plástico, siderurgia, saboaria e perfumaria.
Como cultivar - Uma das exigências é que a terra tenha boa fertilidade. O ciclo é de 150 a 240 dias, dependendo da variedade. No Norte do Paraná têm sido utilizadas as IAC 80, IAC 220 e Guarani. No final do primeiro ciclo faz-se uma poda e em 15 meses as plantas estão produzindo. Em dois anos é aconselhável tirar a mamona da área e fazer uma rotação de cultura, que pode ser o milho.
A empresa fornece a semente que será paga na entrega da produção. A mamona deixa 20 t/ha de matéria orgânica. Em áreas de café reduz o nematóides. Pode ser cultivada em conjunto com o feijão, arroz, melancia e outras.

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