O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) realizou dias atrás a primeira reunião com todas as certificadoras brasileiras que atuam junto ao Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (SISBOV). O encontro serviu como aviso às empresas: todas as regras do SISBOV já publicadas devem ser rigorosamente aplicadas sob pena de auditorias nos processos de certificação.
O secretário-executivo do MAPA, Amauri Dimarzio falou sobre a formação de um comitê para aperfeiçoar o SISBOV. Esse comitê, segundo ele, será formado por representantes dos produtores, através da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) e outras associações; da indústria, através da Associação Brasileira de Industrias Exportadoras de Carne (ABIEC); das certificadoras, indicados pela Associação das Certificadoras (ACERTA); e organismos governamentais, com empenho pessoal do próprio secretário e do secretário nacional de Defesa Agropecuária, também do MAPA, Maçao Tadano.
Dimarzio fez ainda um ''chamamento cívico'' aos representantes das certificadoras sobre a responsabilidade que essas empresas têm com o Brasil. O secretário-executivo disse que não gostaria de ''ter que tomar medidas drásticas'' contra as certificadoras que não cumprirem as regras mas ''que irá fazê-lo se for necessário''. De acordo com o secretário, essas medidas poderão ser desde suspensão até a cassação do credenciamento.
O comitê deverá se reunir para discutir ações de aperfeiçoamento que o sistema precisa para garantir sua credibilidade internacional. Um dos objetivos do MAPA, com isso, é que - até 2010 - a carne bovina seja o segundo lugar na pauta de exportação brasileira.
Segundo Henrique Victorelli Neto, do Instituto Genesis, de Londrina, uma das certificadoras autorizadas pelo MAPA, os técnicos do ministério da Agricultura pediram sugestãos sobre o atual sistema. Uma das sugestões foi uma ação mais efetiva do ministério junto aos pecuaristas, mostrando a necessidade de fazer a rastreabilidade e aderir ao SISBOV.
Outra sugestão apresentada por Victorelli foi relacionada ao Documento de Identificação Animal (DIA). ''É necessário que o ministério padronize o DIA e somente ele faça a autorização da emissão do documento.'' Esta medida, na opinião de Victorelli, é importante para o SISBOV porque possibilita o controle entre a entrada dos animais no sistema e a liberação do documento, ''podendo determinar que os animais recebem o documento 10 dias após sua inclusão. Isso, por si só, extingue o sistema de trabalho dentro do frigorífico'', apontou.
A terceira sugestão foi que o governo tenha atuação decisiva nas campanhas de vacinação de aftosa, ''pois é um bom momento para fazer a rastreabilidade, já que todos os animais passam pelo curral.'' Victorelli sugeriu ainda mudanças na numeração dos brincos de identificação de animais. ''A idéia é que, na composição do número do SISBOV, os dois dígitos que correspondem à micro-região sejam extintos. Somente dessa forma poderemos trabalhar com estoque de brincos por Estado, dando agilidade na execução do trabalho da certificadora'', disse Victorelli.

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