Embrapa está iniciando os testes de campo com o mamão transgênico. Além do mamão, a Embrapa também avançou nas pesquisas com feijão, batata, algodão, soja, trigo e alface.
Mariza Luz Barbosa, diretora-executiva da Embrapa, diz que como a tecnologia é nova, várias instituições estão envolvidas na regulamentação. Ela diz que está havendo aperfeiçoamento no sistema, o que vai permitir avanços nas pesquisas.
Os primeiros testes com o mamão transgênico já foram feitos nas chamadas ''casas de vegetação'' (estufas), mas a Embrapa precisa desenvolver agora os testes de campo, onde o produto é plantado em uma área maior e submetido às condições normais do clima.
Esse teste de campo necessita de um Registro Especial Temporário (RET). O registro é fornecido pelo Ibama, pelo Ministério da Agricultura e pela Anvisa, órgão do Ministério da Saúde. O RET é necessário porque o mamão passará a ser resistente a vírus, e os órgãos governamentais têm de ter certeza de que o novo produto é um alimento seguro e não afetará o ambiente. Barbosa acredita que até o final deste mês a Embrapa receberá o registro para o início dos testes de campo.
Se houver novos atrasos na liberação, as pesquisas serão retardadas ainda mais. O mamão está em fase de crescimento nas estufas e deverá ser t
transportado para o campo. Além disso, as sementes são de dois anos atrás, e o período ideal para uma boa germinação é de um ano.
José Manuel Cabral, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, diz que o mamão transgênico vai permitir eliminar a mancha anelar, doença chamada também de ''mosaico'' e que chega a afetar até 90% da produção em algumas regiões. A mancha é causada por um vírus que forma um anel branco na fruta e reduz a produtividade. Não há produto químico para combater o vírus.
O impacto gerado pelo fim da mancha anelar não será apenas a melhora na renda dos produtores - a produtividade aumenta -, mas também ambiental. A doença força os produtores a mudar constantemente de local, avançando sobre a mata atlântica. Isso não deverá ocorrer mais, segundo ele.
As pesquisas com o mamão deverão durar ainda pelo menos três anos, diz Cabral. Eliana Fontes, pesquisadora da Embrapa com especialidade em controle biológico de insetos, diz que o caminho é esse mesmo. As experiências são demoradas e envolvem muitos investimentos. (Mauro Zafalon, Agência Folha).

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