Mais volume do produto em 2019 pode pressionar preços
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sábado, 08 de dezembro de 2018
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
O produtor de soja não pode reclamar do ano de 2018. O fator câmbio sustentando os preços, associado à alta demanda da oleaginosa pela China fez com que a comercialização tivesse valores bem mais interessantes comparado ao sojicultor de outros países. São mais de 80 milhões de toneladas enviadas dos portos brasileiros, enquanto no ano passado girou em torno de 65 milhões.
De acordo com o Deral, em setembro a comercialização da saca bateu a casa dos R$ 80. De abril a novembro, os valores sempre ficaram acima dos R$ 70, preços bem superiores à média do ano passado, que fechou em R$ 60,35. Para 2019, entretanto, o cenário pode ser baixista, principalmente pelo maior volume internacional do produto e as dúvidas de como o câmbio irá se comportar.
O zootecnista e analista da Scot Consultoria, Rafael Ribeiro, explica de onde vem tanta soja que fará pressão baixista no preço. Segundo ele, os EUA colheram safra recorde e têm boa disponibilidade, mesma situação da Argentina e, claro, do Brasil. "A Argentina no ano passado colheu 37 milhões de toneladas em função da seca. Este ano, eles vêm com pelo menos 55 milhões de toneladas junto a 120 milhões de toneladas do Brasil. Os estoques finais também estarão altos, de acordo com o USDA."
A trégua comercial entre EUA e China, negociada durante o G20 em Buenos Aires, também pode impactar nas vendas da soja brasileira, que foi enviada em grande volume para os orientais em 2018. Apesar da China se comprometer - pelo menos por enquanto - a comprar mais da soja americana, tudo ainda está muito nebuloso. "Se as tarifações (sobre os produtos chineses) forem retiradas (pelos EUA) a tendência é de que a demanda pela soja americana aumente. Basicamente, os 80 milhões de toneladas que enviamos este ano para o exterior foi em função da China comprando mais do Brasil, ou seja, isso poderia voltar para a casa dos 65 milhões a 70 milhões de toneladas", projeta Ribeiro, num cenário ainda bem especulativo.
Por fim, o analista comenta que os produtores que conseguiram travar a soja este ano fizeram certo, porque certamente terão uma melhor rentabilidade do quem pensou suas estratégias de venda apenas para o ano que vem. "Este ano tivemos o caso no primeiro semestre do valor da saca subir em plena colheita. Em 2019 sem dúvida teremos uma pressão de baixa nesse período, o que é típico da safra." (V.L.)


