Não é de hoje que o setor sucroenergético passa por dificuldades. Fatores climáticos e a falta de apoio ao setor são, segundo especialistas da área, os principais motivos da crise que cerca esse mercado. Só neste ano, três usinas paranaenses fecharam as portas. Segundo José Adriano da Silva Dias, superintendente da Associação dos Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), mais unidades paranaenses podem ser fechadas em 2014 se nada for feito para reverter esse quadro.
Dias conta que quando o governo federal proporcionou subsídios à gasolina, não autorizando o reajuste nas bombas, o consumidor que utilizava etanol migrou para o combustível fóssil. Devido à alta demanda, a Petrobras começou a importar gasolina, aumentando as dívidas da empresa, que já não eram poucas por causa do combustível subsidiado. Dias lembra que as usinas, sem terem para quem vender etanol, investiram na produção de açúcar.
Quando houve um aumento na oferta mundial do açúcar, o setor não aguentou, acumulando mais prejuízos devido à depreciação do produto. "O aumento no preço da gasolina em 2013 deu um leve fôlego, mas passageiro porque a elevação no valor do diesel aumentou os custos de produção das usinas", lamenta Dias.
Por causa desse momento de baixa, só na região Centro-Sul do País, 56 usinas fecharam em 2013. Segundo Dias, a redução de impostos como o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Confins) foi uma medida paliativa, mas que não durou.
O Paraná possui atualmente 30 usinas em funcionamento. Ao todo, elas processaram até o dia 1° de dezembro 39,2 milhões de toneladas de matéria-prima. No ano passado, as indústrias paranaenses moeram em torno de 39,7 milhões de toneladas. Na estimativa de produção para 2014, Dias prevê pouca alteração, mantendo-se os patamares desta safra.

Centro-Sul
No último levantamento realizado pela União Brasileira de Cana-de-açúcar (Unica) para a safra 2013/14, referente à segunda quinzena de novembro, foram processadas 569.876,4 toneladas de cana-de-açúcar, 11,61% a mais se comparado ao mesmo período da safra anterior. Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da instituição, afirma que a produtividade deve fechar o ano em torno de 80 toneladas de cana por hectare.
Para a safra 2014/15, o especialista destaca que a produtividade deve se manter equilibrada, dentro dos patamares atuais. Com o aumento da demanda e a produção estável de etanol, ele destaca que o Brasil poderá importar mais gasolina no próximo ano. Segundo ele, para amenizar esse descompasso produtivo, o setor continuará investindo em variedades mais produtivas e resistentes às pragas e doenças por meio da adoção do melhoramento genético, que também visa a seleção de plantas adaptáveis a cada tipo de clima e solo.
De acordo com Rodrigues, o uso da biotecnologia pode ajudar a fomentar o setor. Ele adianta que para 2017 já estará disponível comercialmente a primeira cana transgênica resistente a um determinado tipo de inseto. Além dessa tecnologia, o diretor da Unica destaca que o Brasil deverá investir mais na produção de etanol de segunda geração, com o objetivo de incrementar o setor produtivo. (R.M.)

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