O abacate é uma fruta muito mais versátil do que pensamos. Além de saladas e vitaminas, ele também pode ser utilizado em uma infinidade de outros produtos, de sabonete à graxa industrial.
De olho no potencial desta fruta originária da América Central, um grupo de empreendedores de Ubiratã resolveu investir no uso industrial do abacate, através da extração do óleo da fruta. Depois de anos de tentativa e pesquisa, eles são os primeiros no Brasil a dominar uma técnica de extração através do método enzimático, sem o uso de solventes ou outros produtos químicos.
Quem primeiro acreditou na viabilidade econômica dessa fruta foi o produtor Rosalino Piccin, que é também engenheiro agrônomo. Em 1996 ele plantou seis hectares de abacate na sua propriedade, buscando a diversificação de renda. ''Queria fugir um pouco do esquema das grandes culturas e procurava uma fruta que tivesse um potencial para industrialização. Depois de muita pesquisa, resolvi apostar no abacate'', conta Piccin.
Com uma expectativa de manejo de trinta anos, a produção propicia uma grande sazonalidade com pouco manejo. Quando começaram as primeiras colheitas, em 2004, o produtor partiu em busca de outra forma de comercialização além da fruta in natura. ''Descobri um grande filão para a minha produção: a extração do óleo, que pode ser utilizado em diversos produtos'', conta Rosalino.
Com mais um parceiro no projeto, o produtor Paulo Furusato, a dupla de empreendedores passou, então, a procurar um profissional que desenvolvesse uma tecnologia para a retirada do óleo do abacate. O químico Nabi Assad Filho, que se coloca como mais um apaixonado pelas potencialidades da fruta, criou um método que permite a extração do óleo em escala comercial. ''Foram dois anos de tentativa e erros'', revela o químico.
A produção já conta com 20 mil litros de uma matéria-prima que pode ser utilizada em diversos ramos da indústria. ''Na linha cosmética pode ser usado como hidratante em xampus e cremes. Como alimento, pode ser um substituto do azeite de oliva, já que possui as mesmas qualidades'', explica o químico. ''O óleo do abacate também pode ser usado como graxa branca na lubrificação de máquinas da indústria alimentícia'', completa.
Por enquanto a produção está sendo armazenada na propriedade. Rosalino Piccin e Paulo Furusato buscam agora um parceiro comercial para o aproveitamento do óleo. ''Mas isso é apenas uma questão de tempo'', acreditam. ''Além de ser um produto rico em nutrientes e muito saudável, todo o volume utilizado na indústria nacional é importado. Queremos mudar esse mercado'', anima-se a gerente do projeto, Edma Piccin.

Da casca ao caroço
  A iniciativa da extração do óleo de abacate, em Ubiratã, é um exemplo de como utilizar, ao máximo, os recursos que a natureza oferece. Da polpa à casca, tudo é aproveitado durante o processo industrial.
  A fruta é colhida antes de completar o processo de maturação e é acomodada em um depósito. Seis dias depois, já bem maduro, o abacate entra na linha de produção. Três toneladas de fruto rendem, em média, 200 litros de óleo.
  Separada do caroço, a polpa é cozida durante quatro horas com água e enzimas. ‘‘As enzimas são organismos naturais que quebram as moléculas da polpa e ajudam a liberar o óleo’’, explica o químico Nabi Assad Filho.
  O caldo resultante do cozido é filtrado e centrifugado para extração do óleo, um líquido esverdeado e escuro vai caindo em um pequeno balde. ‘‘Dependendo da aplicação, esse óleo bruto é refinado em um óleo um pouco mais amarelado, lembrando um azeite’’, comenta Jesus dos Santos, encarregado da produção.
  Os resíduos são levados para um depósito de decantação onde ficam durante duas semanas. ‘‘Eles se transformam num composto sólido, que é triturado e utilizado como adubo nos abacateiros’’, explica Rosalino Piccin.(A.T.)

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