Um clima de aconchego e de intimidade com a natureza. Esta é a sensação de quem passa pela Fazenda São João, em Ubiratã. A propriedade foi priviliegiada pela abundância de recursos naturais. Nos 315 alqueires há 10 nascentes e seis córregos. Num deles, o Córrego São João, o espetáculo é ainda mais prodigioso. No trecho denominado como serraria, a inclinação do terreno concede ao leito do rio algumas quedas d'água e duas cachoeiras com cerca de 10 metros. Uma maravilha para contemplação.
A contribuição do meio ambiente não teria se mantido tão bela se não contasse também com a consciência preservacionista dos proprietários. O engenheiro agrônomo Osmar João Bertoli Júnior, que administra a propriedade do pai, se coloca como parte de uma corrente evolutiva de preservação. ''Meu avô, que comprou a área, tinha o pensamento da exploração e não há como negar que derrubou muito mato. Me pai, na sequência, já deu início ao processo de recuperação que mantemos aqui. Espero que meus filhos possam fazer muito mais''.
Além das áreas de mata ciliar, a propriedade possui vários espaços de reserva legal que, no conjunto, somam mais de 60 alqueires de floresta nativa a maior delas tem 30 alqueires e fica no pedaço mais nobre da fazenda, por ser plano e estar a poucos metros da rodovia BR-369. Essa floresta foi doada ao município dentro dos critérios de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPM), rendendo o repasse de verbas mensais, o chamado ICMS ecológico, pagos pelo governo do Estado.
''Não temos muito mais do que nos exige a legislação, mas desenvolvemos aqui técnicas de manejo que permitam harmonia com o sistema produtivo'', explica. A atividade econômica está quase que igualmente dividida entre agricultura e pecuária de corte e de leite. Bertoli Júnior segue as normas do plantio direto e da rotação de culturas, associadas ao sistema de integração lavoura-pecuária.
No período do inverno, as áreas de grãos cedem espaço para o plantio de aveia e azevém, divididas em piquetes através do recurso das cercas elétricas. A nutrição animal tem ainda o reforço da silagem de milho e do sal mineral. No verão, o pasto dispõe de áreas com sorgo e milheto, além das gramíneas coast-cross e tifton. As vacas em lactação recebem ainda um complemento de 4 quilos/dia de ração durante a ordenha.
Os resultados não se restringem à recuperação da fauna e da flora da região, mas já se somam aos índices de produtividade da fazenda. Das 73 vacas em produção, com duas ordenhas, são retirados diariamente 1.400 litros. ''A vaca campeã está com uma produção de 45 litros/dia'', comemora Bertoli Júnior.

mockup