Mais proteção contra febre aftosa
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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2001
Cláudia Barberato De Londrina e Agências 
O fechamento da fronteira com a Argentina, na última quinta-feira, foi mais uma medida para proteger o rebanho brasileiro contra a febre aftosa. Diferente da atitude do governo canadense, que embargou a carne brasileira no último dia 2, sem justificativas técnicas, a intenção do governo brasileiro é evitar que a doença, comprovada em rebanhos argentinos, volte para o País e prejudique o Brasil no comércio internacional.
De acordo com informações do ministério da Agricultura, só poderão entrar no Brasil carne sem osso ou enladada e produtos derivados como salsichas. A medida vai vigorar até que a Argentina consiga resolver o problema. Por enquanto estão proibidos também a importação de animais vivos, de material genético (sêmen e embriões) e de carne com osso.
O ministro Pratini de Moraes disse que a proibição da importação de animais vivos, carne com osso e material genético da Argentina, não trarão prejuízos significativos para aquele país. A maior parte da carne importada pelo Brasil é dessossada. Em 2000 foram US$ 42 milhões dos quais US$ 31 milhoes de carne sem osso.
Suspeitas comprovadas A decisão de fechar fronteiras com a Argentina foi baseada no relatório de técnicos brasileiros que estiveram naquele país de 29 de janeiro a 8 de fevereiro. Os técnicos da Secretaria e Defesa Animal do ministério da Agricultura comprovaram as suspeitas de focos da doença em algumas regiões da Argentina. Segundo o ministro Pratini de Moraes, desde agosto do ano passado o governo já tinha barrado a importação de animais vivos e material genético desses locais (Corrientes, Entre Rios, Formosa) por supeita de focos da doença.
Para não perder o status de livre da febre aftosa a Argentina, segundo Pratini, deverá enviar um plano de controle junto a Organização Internacional de Epizootias (OIE), pedindo que se mantenha o reconhecimento de área livre com vacinação nos locais onde existem focos e o título de área livre sem vacinação para as áreas onde não há ocorrência do vírus.
Na espera Com relação ao problema com o Canadá, o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, disse durante a semana que o Brasil está fazendo enorme pressão para acelerar o fim da restrição canadense à carne brasileira.
Enquanto esperam a definição, técnicos do governo brasileiro elaboraram uma estratégia para questinarem técnicos canadenses e acionarem a Organização Mundial do Comércio (OMC). Eles estudaram o Acordo Sanitário e Fitossanitário (SPS) da Organização Mundial do Comércio (OMC) e uma comissão de especialistas em comércio do Itamaraty e do ministério da Agricultura finalizou um documento com argumentos para contestar a medida canadense.
Segundo informações do ministério da Agricultura, o Brasil alegará que o Canadá infringiu as regras da OMC porque amplificou o potencial prejuízo ao produto nacional com o embargo, não minimizando os efeitos negativos para o comércio da carne bovina brasileira no exterior.
Sobre o não cumprimento do prazo de informações do rebanho, a alegação será a de que países com um rebanho do tamanho do brasileiro teriam que ter um tratamento diferenciado na análise de risco.
Prejuízos Trabalho do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura/Universidade de São Paulo) indica que os pecuaristas brasileiros deixaram de ganhar R$ 3,6 milhões depois do veto na compra da carne brasileira pelos integrantes do Nafta (Canadá, EUA e México).
Segundo os pesquisadores do Cepea, entre os dias 5 e 9 de fevereiro houve uma redução de 3% no valor do preço do boi gordo. A cotação que vinha estável, entre R$40 e R$ 41 a arroba desde o dia 26 de janeiro baixou para R$38 a R$39 no dia 9 de fevereiro.
A redução acelerada da arroba, segundo os pesquisadores, não foi causada pela diminuição da demanda já que na semana seguinte à queda, de 12 a 16 de fevereiro, os preços voltaram a subir. Na semana de 26 de janeiro a 2 de fevereiro o indicador Esalq/BM&F, valor à vista, registrou uma queda de 1.7% no preço da arroba. Na semana seguinte o índice chegou a casa dos 3%. Fica claro, de acordo com os pesquisadores, que o mercado sofreu uma pressão psicológica que praticamente dobrou o ritmo de redução do preço da arroba.


