Mais produtores adotam o cultivo orgânico
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sexta-feira, 31 de agosto de 2001
Marcos Zanatta<BR>De Maringá 
A Emater de Maringá está organizando um grupo de produtores para implantar a agricultura orgânica em pequenas propriedades, onde predomina o cultivo de hortaliças. O projeto começou há pelo menos um ano, com a introdução do sistema na horta do produtor Sérgio Shiyoiti Suzuki, a três quilômetros da zona urbana de Maringá. A primeira reunião, realizada no final de junho, atraiu 43 agricultores, a maior parte integrantes da feira do produtor.
O agrônomo da Emater, Jorge Ogassawara, explica que hoje existe um mercado garantido para o produto orgânico, e a região conta com apenas três fornecedores. ''O consumidor está mais consciente sobre a qualidade dos alimentos, mas falta opção na hora de escolher um produto sem agrotóxicos'', diz.
Vantagem Além do consumidor ser beneficiado com um produto limpo de agrotóxicos, o produtor também tem vantagens ao fazer a opção pelo cultivo orgânico. O acompanhamento da safra de Suzuki mostra que a mudança de manejo é vantajosa financeiramente, já que o custo de produção é menor e o lucro maior.
O agricultor evita fazer comparações, porque a introdução do sistema orgânico ainda está em andamento. Revela, no entanto que a economia no uso de insumos é de aproximadamente 50%. Suzuki planta 3,5 hectares de horta desde 1990 na propriedade da família, que tem 10 hectares nas margens do Córrego Inhanguaçu.
O forte são as folhas, principalmente alface com 1,6 mil pés produzidos por semana, seguido de almeirão e brócolis, com 250 maços cada um no mesmo período. Tudo é vendido na feira do produtor, realizada às quartas e sábados em Maringá. Ali Suzuki usa placas e adesivos nas embalagens, informando que seu produto não recebeu agrotóxico.
Começo Suzuki aceitou o convite para implantar o cultivo orgânico há cerca de um ano. ''Como é uma área pequena, mudamos tudo ao mesmo tempo'', conta. Fez uma cerca viva, para barrar a passagem de doenças e pragas. Aos poucos foi eliminando o uso de produtos químicos.
A média era de uma pulverização semanal no início da fase de desenvolvimento das plantas, e depois a cada 15 dias na fase adulta da lavoura. Para compensar a fertilidade, as áreas passaram a receber adubação verde, basicamente de aveia e milheto. A massa verde é incorporada ao solo nas linhas de canteiro, que recebem ainda o bagaço de cana como cobertura morta para segurar a umidade. Os canteiros são pulverizados com bactérias que ajudam no combate às doenças do solo. Para ajudar no controle de pragas, Suzuki instalou uma isca luminosa, que captura mariposas.
Manejo O que Suzuki mais estranha é a diferença em relação ao manejo diário. ''Antes a gente só via as folhas cultivadas, agora tudo é tomado pelo verde, inclusive as ruas entre os canteiros'', compara.
A mudança para o orgânico exigiu a contratação de mais um ajudante. São dois funcionários fixos e mais um ou dois auxiliares, dependendo da fase da lavoura. Para o produtor, que fazia a pulverização pessoalmente para não colocar os funcionários em risco, o primeiro impacto foi na saúde. ''Sempre tive dor de cabeça, quase todos os dias que trabalhava no horta. Agora isso acabou'', conta.


