O presidente da Associação Paranaense dos Suinocultores (APS), Jacir Dariva, salienta que este o ano "o suinocultor paranaense não tem do que reclamar: avançou em produção, fez caixa e deixou a sua granja mais estabilizada financeiramente". Ele também relata que a audácia das cooperativas em aumentar a capacidade de abate de suínos – inclusive investindo em novas estruturas, como aconteceu com a cooperativa Frísia, em Castro – faz com que os suinocultores tenham mais opções no mercado para comercializar seus planteis.
Sem dúvida, o mercado interno aquecido para a carne suína fez com que as cooperativas e frigoríficos apostassem mais no segmento. Afinal, hoje, a média nacional de consumo da carne é de 15 quilos por ano, enquanto que na região Sul é o dobro deste valor: algo em torno de 30 quilos anuais. "Nós estamos em vantagem porque os outros tipos de carne subiram. Hoje, vendemos mais carne suína por uma opção financeira dos consumidores, que querem pagar mais barato e estão conseguindo isso com nosso produto", salienta Dariva.
No que diz respeito do impacto da alta do dólar, o representante da APS relata que se por um lado o fator cambial melhorou o preço do animal, por outro o impacto nos valores dos insumos, principalmente alimentação, nutrientes e medicamentos, foi muito grande neste final de ano. "A época em que o suinocultor mais ganha é no final de ano, mas neste momento estamos sentindo impacto forte nos custos de produção. Acredito que em 2016 o produtor vai ter que ser mais eficiente e fazer ajustes grandes em seu trabalho."
Os suinocultores também fazem uma retrospectiva de 2015, apontando pontos positivos e negativos. O suinocultor Nelson Guidoni, da Granja Peru, em Arapongas, comercializa em torno de mil suínos por mês, sendo 300 para reprodução (animais com genética) e 700 para o abate. "Enquanto o preço do animal sobe pela escada rolante, a matéria-prima (insumos) vai de elevador, já que tudo é dolarizado. É complicado, mas como trabalho com genética, vendendo para diversos estados, consegui melhores resultados. Sem dúvida, o começo do ano estava melhor", salienta ele.
Para o produtor Edson Sanguino, de Sabáudia, 2015 foi um "ano razoável", com valores medianos para comercialização dos animais, mas com os farelos de soja e milho "subindo bastante". Ele calcula que produziu em torno de 20% a mais do que em 2014. "Não basta produzir mais, tem que vender com um preço interessante, o lucro líquido final é o que vale. Houve uma procura maior dos frigoríficos e isso foi importante."
Sanguino também confirma que a substituição da carne bovina pela suína entre os consumidores deu bom fôlego para o mercado. "Sem dúvida, o valor mais caro da arroba do boi ajudou bastante o setor", complementa.

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