De acordo com levantamento de perfil dos cultivadores realizado pelo Centro de Produção e Propagação de Organismos Marinhos (CPPOM), os produtores de Guaratuba/Matinhos são focados em investimento. ''Acreditam na ostra como negócio e gerenciam o criatório desta maneira'', comenta Bendhack. Em Guaraqueçaba e Paranaguá a finalidade é a subsistência.
A entrada de sementes de qualidade no mercado devem reduzir os preços do produto ao consumidor, segundo previsão do Bendhack, mas apenas dentro de 4 a 5 anos. Ele ressalta que alimentar-se de ostra contribui para a saúde. Os benefícios são omêga3, ácidos graxos, ferro e vitamina B12.
Bendhack calcula que para iniciar um criatório o capital inicial fique em torno de R$ 70 mil - para uma estrutura básica composta de bóias, barco, compra de sementes, lanternas para a engorda e cabos de sustentação. ''O retorno chega em dois anos e dependendo do grau de investimento, a receita fica entre R$ 800 e R$ 1.500, para mais''. Após 12 meses, a ostra já tem o tamanho suficiente para a venda.
O ostreicultor Amilton de Moura Kirchner, do cultivo Ostra Viva, está há 11 anos na Estrada da Cabaraquara (em Matinhos, à esquerda do ferry-boat) vivendo exclusivamente do negócio. Há dois passou a receber as sementes do CPPOM e já planeja aumentar a oferta de ostras a clientes do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. A pretensão é - aos poucos - chegar a 25 mil dúzias por ano, hoje a produção está em 5 mil dúzias.
''Não ter que ir ao manguezal para obter sementes, preserva o ecossistema e permite o planejamento de produção para nós. Assim a cadeia fica mais organizada. Com as sementes, eu já consigo vender os carregamentos com garantia de qualidade e regularidade. Investi muito durante uma década em infraestrutura e tecnologia e agora tenho lucro'', afirma Kirchner.
Na Estrada de Cabaraquara, a prática comum entre os produtores é oferecer a ostra fresquinha em quiosques a poucos metros do cultivo. Um dos locais bastante visitados por degustadores da iguaria, é o Sítio Sambaqui. Os mais curiosos podem conhecer as long lines - sistema de cultivo formado por bóias alinhadas dentro da água, onde estão presas as lanternas que acondicionam as ostras em engorda - enquanto aguardam para saborear as delícias da casa.
O proprietário é Nereu Oliveira, um advogado-produtor que há sete anos investe na ostreicultura. O braço-direito do empresário é o gerente do local, o pescador Elvisley José Rocha Ferreira, mais conhecido como Belém.
A reportagem conheceu as long lines do Sambaqui com a ajuda de Belém - que não esconde a satisfação com a presença da universidade no setor. ''Agora está mais profissional e as perspectivas de crescimento nos negócios são grandes'', comenta. Hoje são produzidas entre 5 e 8 mil dúzias ao ano, mas o Sambaqui pode chegar a 50 mil dúzias/ano agora que conta com o fornecimento de sementes. Além do quiosque, a produção abastece restaurantes de Curitiba e do interior.
Oliveira é presidente da Associação Guaratubana de Maricultores (Aguamar), com 17 cadastrados. Ele destaca a ostreicultura como um caminho para colaborar no desenvolvimento econômico local. ''É a chance de pescadores sairem do extrativismo e partirem para o cultivo e terem uma segurança para o sustento próprio'', analisa. (C.P.)

mockup