Pequenos produtores de leite no Paraná vêm conquistando por meio da assistência técnica uma nova oportunidade para alavancar os negócios. Em algumas regiões, o investimento em sanidade, nutrição e utilização de uma boa genética tem elevado o potencial produtivo e proporcionado maior poder de negociação frente aos laticínios. Essa conquista tem sido alcançada sem nenhum aumento de área ou grandes investimentos financeiros. O segredo, segundo os próprios produtores, são as pequenas mudanças.
Alçançar índices melhores não é uma tarefa fácil. Porém, a união de quem produz, seja ela por meio de cooperativas ou associações, é uma das formas mais baratas e rápidas para conquistar esse objetivo. O assentamento Dorcelina Folador, localizado no município de Arapongas, é um exemplo disso. Com o apoio da assistência técnica da Emater, os 45 pequenos produtores que formaram uma pequena cooperativa, chegam a captar 3 mil litros por dia, a uma média de 10 litros por cabeça, tudo retirado por meio de ordenhadeiras mecânicas.
De acordo com a presidente da cooperativa e também produtora, Dirlete Dellazeri, antes da assistência técnica, havia pecuaristas que não conseguiam produzir mais do que 30 litros de leite por dia. Hoje, alguns chegam a captar 700 litros diariamente, sem ampliar o rebanho. Ela afirma que uma cadeia leiteira bem trabalhada, com o devido suporte técnico, pode ser uma das melhores fontes de renda para o pequeno produtor. Dirlete sublinha que o primeiro passo adotado pelo assentamento foi buscar o apoio da Emater, que ajudou os produtores a melhorarem a rentabilidade por meio de um manejo adequado.
Shiguedy Cato, especialista da Emater e responsável por orientar os trabalhos dos produtores da região, afirma que para ampliar a qualidade e a quantidade da produção local foi definido uma linha de trabalho. Um das primeiras recomendações foi o cuidados com a alimentação do rebanho. ''Com um animal bem alimentado, 70% dos problemas estão solucionados na atividade leiteira'', enfatiza.
Cato afirma que o produtor deve encarar o pasto como uma cultura. Ele orienta o pecurista a sempre plantar a variedade adequada para determinada região. Além disso, completa Cato, outro passo importante é realizar o piqueteamento dessas áreas para garantir um maior tempo de descanso do pasto.
O produtor Vanderlei Braun, também do assentamento, seguiu a regra do pastejo rotacionado e foi além. O pecuarista plantou árvores em pontos localizados em sua propriedade para proporcionar aos animais e também ao pasto períodos de sombra durante o dia. Essa medida, garante o técnico da Emater, permite que os animais procurem, quando incomodados com o calor, as sombras das árvores. ''Altas temperaturas podem estressar o animal, compromentedo a produção de leite'', diz Cato. Com esses cuidados, agregado à utilização de uma boa genética, Braun consegue extrair de suas 42 vacas em lactação, de um total de 50 fêmeas e 70 novilhas, 700 litros de leite por dia.
Hora de vender
Dirlete afirma que a alta produção, e com qualidade, obtida pelos produtores da cooperativa tem possibilitado melhores condições de negociação com os varejistas da região. Hoje são comercializados por volta de 2,5 mil litros por dia nos supermercados de Arapongas a um preço, considerado por eles, justo. ''Antes da profissionalização de nossos produtores recebíamos por volta de R$ 0,58 pelo litro de leite. Hoje, com o aumento da produção, esse valor passou para R$ 0,84, acima do preço estabelecido pelo Conseleite'', completa Dirlete.

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