Londrina se prepara para dar um importante passo na área científica e tecnológica. Graças a uma iniciativa do núcleo de sócios da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) do município, a cidade está se organizando para criar o Sistema Municipal de Ciência e Tecnologia. Composto por representantes da comunidade científica e dos poderes executivo e legislativo, o órgão terá o objetivo de fomentar ações relacionadas à ciência e tecnologia, além de integrar as diversas instituições que atuam na área com as principais necessidades do município nesse setor.
Segundo Carlos Roberto Appoloni, coordenador do grupo de física nuclear aplicada do departamento de Física da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e do núcleo de sócios londrinenses da SBPC, a idéia do projeto surgiu há dois anos, junto com a criação do núcleo na cidade.
No ano passado, durante o período de eleições municipais, os candidatos a prefeito discutiram a questão em um debate e se comprometeram a encaminhar o projeto caso fossem eleitos. Hoje, já responsável pela administração municipal, o prefeito Nedson Micheletti (PT) está cumprindo sua promessa de campanha, dando andamento aos trâmites necessários para criação do sistema.
Comissão
O sistema municipal é composto por três partes. Uma delas é a comissão permanente de Ciência e Tecnologia da Câmara Municipal, que já está funcionando. Formada pelos vereadores Elza Correia (PMDB), Roberto Kanashiro (PSDB) e Orlando Bonilha (PDT), tem o objetivo de assessorar todos os processos que tratem de ciência e tecnologia.
Segundo Appoloni, com a criação da comissão os vereadores assumem a responsabilidade de consultarem a opinião da comunidade científica antes de emitirem qualquer parecer sobre projetos de lei que envolvam questões científicas ou tecnológicas. ''Em princípio, não tem mais aquela história de achismo'', considerou.
Conselho
O segundo passo para implantação do sistema é criar o conselho e o fundo municipal de ciência e tecnologia. Carlos Appoloni explicou que o conselho tem a função de gerenciar os recursos arrecadados pelo fundo para fomentar ações de ciência e tecnologia na cidade. Outra tarefa é articular iniciativas do setor e integrar as ações das diversas entidades. Também tem a atribuição de alavancar recursos para esse trabalho, mesmo quando a prefeitura não possa investir.
O objetivo, ressaltou o professor, é integrar as ações e demandas de ciência e tecnologia da prefeitura com os órgãos que realizam atividades científicas, como é o caso da UEL, Embrapa, Iapar, Adetec, universidades privadas e outras. Muitas vezes, essas instituições possuem pesquisas que poderiam solucionar alguns problemas da cidade, mas a tecnologia não é utilizada por falta de contato com o poder executivo. ''Sem a participação da prefeitura, muitas ações deixam de ser potencializadas'', comentou.
Há um mês, o ante-projeto de criação do conselho foi entregue ao prefeito Nedson Micheletti, que leu o documento e devolveu com algumas alterações. O projeto foi revisado pelo núcleo de sócios e seria novamente entregue ao prefeito na semana passada. Uma das prinicipais modificações sugerida por Nedson foi a criação da Conferência Municipal de Ciência e Tecnologia, que avaliará as ações do conselho e as políticas lançadas na área.
Também fará parte do sistema municipal um representante do executivo, que terá a função de integrar as outras partes à prefeitura. Nedson já adiantou que designará para esse cargo uma pessoa que já trabalha na administração do município. Appoloni informou que em 2003, a idéia é criar na prefeitura uma assessoria de ciência e tecnologia.
Exemplo
Conhecido como importante centro de desenvolvimento científico, o município de São Carlos (interior de SP) possui uma secretaria municipal de Tecnologia e Desenvolvimento Sustentável. No mês passado, o secretário Lamy de Miranda Grando esteve em Londrina para mostrar como funciona a secretaria e qual sua importância para o município.
De acordo com Appoloni, o órgão tem um departamento de desenvolvimento econômico e tecnológico que dá suporte para distritos industriais e fomenta estabelecimentos de indústrias e incubação tecnológica. O mesmo departamento possui um programa de qualificação profissional com balcão de empregos, que realiza cursos profissionalizantes de acordo com as necessidades das empresas da região. Também tem a atribuição de congregar ações de política ambiental e turismo.
Outra tarefa é o desenvolvimento de projetos de pesquisa por parte de profissionais da própria secretaria, de outras secretarias ou órgãos e institutos científicos.''O objetivo é resolver problemas da cidade e adiantar soluções para dificuldades futuras'', analisou Appoloni.
Serviço: Para mais informações sobre o Sistema Municipal de Ciência e Tecnologia, consulte o site www.fisica.uel.br/áásbpc-ld

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