Mais eficiência no uso da terra
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de março de 1997
Giovani Ferreira de Ponta Grossa 
Em busca de uma garantia de rentabilidade, que mantenha a estabilidade econômica da propriedade durante o ano todo, o produtor do Paraná descobre na integração lavoura-pecuária uma nova maneira de desenvolver e diversificar sua atividade rural. O sistema de integração, que durante o inverno permite a criação de gado em uma mesma área que irá receber soja ou milho no verão, é o mais novo conceito de sustentabilidade praticado pelos produtores do Estado.
Segundo Aroldo Marochi, engenheiro agrônomo da Monsanto, empresa que vem desenvolvendo pesquisas nesse sentido, a integração tem por objetivo aumentar a renda do produtor, aproveitando áreas que ficavam ociosas durante o inverno e diversificando a atividade agropecuária dentro da propriedade. A integração permite uma rentabilidade constante durante todo o ano. O sistema também evita que o produtor fique preso somente a uma atividade, correndo o risco de sacrificar todo o seu capital devido a intempéries.
Plantio diretoUma das principais vantagens da integração é a utilização de campos nativos. Através do sistema de plantio direto esses campos podem ser transformados em pastagens no inverno e em áreas produtivas de grãos durante o verão. Na região dos Campos Gerais existem experiências dessa natureza, que hoje são exemplos do sistema de integração, onde os produtores vêm registrando aumento na produtividade de grãos e crescimento da produção de leite e carne.
No Paraná os campos nativos cobrem cerca de 1,5 milhão de hectares. Nessas áreas os animais sofrem com a sazonalidade e a falta de forragens naturais. O uso do plantio direto, aliado ao sistema de integração, com o estabelecimento de pastagens de inverno, irá trazer mais vantagens e alternativas ao criador, explica Marochi.
A proposta de intregação agricultura-pecuária tem início com o cultivo de forrageiras, que serão utilizadas como pasto para o gado no inverno. Na mesma área, o produtor pode optar pela cultura do milho ou da soja durante o verão. No entanto, é preciso obedecer algumas normas de manejo para garantir o sucesso do sistema.
Uma delas é que o gado deve ser retirado do pasto 60 dias antes do início do cultivo de verão, com o objetivo de manter o volume mínimo de massa para formação da palha necessária para o plantio direto. Os técnicos alertam para o uso racional da pastagem durante o inverno, a fim de que o volume de palha não atrapalhe o o plantio direto da soja ou do milho.
BenefíciosPara Robson Faria de Biaggi, engenheiro agrônomo da Monsanto que também trabalha com integração lavoura-pecuária no Paraná, entre os principais benefícios do sistema estão a preservação e a fertilização do solo; o retorno econômico constante e mais rápido e o custo de produção mais acessível. Para a pecuária o retorno mais específico seria a pastagem, que se reverteria na diminuição do custo e na melhoria da qualidade do alimento animal. A rotação de cultura aparece como principal vantagem para o solo.
A integração surge na atividade agropecuária como sinônimo de produtividade. Como o aumento da produtividade é a única saída para tornar a produção nacional competitiva, a integração lavoura-pecuária é o futuro da atividade agropecuária em todo o País, acredita Biaggi.


