Mais dinheiro para a safra de verão
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sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Célia Froufe<br> Agência Estado 
Brasília Dada a grande demanda por crédito nos dois primeiros meses (julho e agosto) da safra 2009/2010, o Banco do Brasil (BB) já conversa com o governo sobre a possibilidade de aumentar o volume a ser ofertado para o setor agrícola. A previsão inicial para financiamento da atual safra pela instituição, de R$ 39,5 bilhões, já levava em conta um crescimento de 30% em relação ao período anterior, mas há a expectativa de que o aumento seja de pelo menos 40% até o fim do ano.
Ocorre que em julho e agosto, o total fornecido de crédito rural representou um incremento de 143% em relação ao mesmo período do ano passado, um montante de R$ 6,440 bilhões para custeio, comercialização e investimentos da agricultura familiar e empresarial.
Nos mesmos meses de 2008, a soma foi de R$ 2,659 bilhões, de acordo com o Banco do Brasil. O diretor de Agronegócios da instituição, José Carlos Vaz, preferiu não cravar números, mas garantiu que toda a demanda será atendida pelo banco. ''Já falamos com os três ministérios sobre o assunto e recursos não vão faltar'', disse, referindo-se aos ministérios da Fazenda, Agricultura e Desenvolvimento Agrário. ''Com certeza vamos crescer pelo menos 40% nesta safra, mas ainda está cedo para avaliar isso'', considerou.
De acordo com Vaz, muitos dos clientes da instituição que atuam no setor agropecuário apresentam capacidade de tomar mais crédito. ''É provável que (o valor ofertado) seja maior do que os R$ 39,5 bilhões'', previu. O diretor acrescentou que a sinalização de que o banco continuará atuante no setor, mesmo com a grande procura, é uma estratégia para não gerar expectativas negativas no mercado.
Ele evitou antecipar de onde viriam os recursos extras para atender aos agricultores, mas deu pistas de que o governo poderá auxiliar a instituição com dinheiro novo. ''O Tesouro Nacional pode ajudar, mas vamos conversar sobre isso na hora certa'', limitou-se a dizer.
Grande parte da diferença entre a expectativa e o valor contratado até o momento deve-se à antecipação da busca por recursos, conforme Vaz. Assim, a tendência, de acordo com ele, é de um crescimento expressivo do volume de contratações, mas não no nível em que se encontra agora. Essa antecipação, porém, foi uma estratégia do governo de atender aos produtores que criticavam o tempo entre o anúncio de recursos disponíveis para financiamento da safra e a chegada efetiva da quantia às instituições financeiras.


