Mais água, mais lucro
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sexta-feira, 10 de setembro de 2004
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Um projeto que visa a utilização de efluente de esgoto tratado na irrigação de plantas rendeu ao pesquisador londrinense Adriel Ferreira da Fonseca, de 28 anos, o Prêmio Moinho Santista Juventude, na categoria desenvolvimento sustentável.
A pesquisa faz parte da tese de doutorado que Fonseca irá defender em fevereiro do ano que vem na Esalq/USP. Segundo o pesquisador, formado em agronomia pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, os resultados do trabalho pinoneiro vão desde a economia de água à diminuição do uso de fertilizantes nas lavouras.
Projeto Fonseca explica que as lagoas de estabilização formadas após o tratamento do esgoto produzem dois subprodutos, lodo e efluente líquido. Este último concentra quantidades de nitrogênio, fósforo e matéria orgânica acima da resolução número 20 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e quando lançado de volta aos rios causa a eutrofização - mudança nas características da água. ''A eutrofização leva à diminuição do nível de oxigênio na água, proliferação de plantas aquáticas e morte de peixes'', completou.
De acordo com o agrônomo, a idéia é substituir a água pelo efluente no processo de irrigação para incrementar a produtividade de pastagens e lavouras. ''Os nutrientes da composição do efluente são aproveitados pelas plantas e, com isso, o produtor reduz o gasto com fertilizantes'', calculou.
A eficiência do efluente já foi comprovada no capim tifton 85 e em lavouras de milho e girassol e deve ser experimentada também na cana-de-açúcar. ''O efluente supre totalmente a necessidade de água da planta e em até 50% a dose de fertilizante nitrogenado mineral'', afirmou Fonseca.
Segundo ele, esse sistema já é utilizado com sucesso na Austrália, Estados Unidos e Israel. ''Com a grande falta d'água em Israel, as empresas de tratamento de água chegam a cobrar pelo fornecimento do efluente de esgoto'', disse. No Brasil, o projeto ainda está no campo da pesquisa e deve chegar aos agricultores dentro de cinco anos, acredita Fonseca. Para ele, falta o treinamento de técnicos e produtores para que o uso do efluente seja controlado, além de incentivos financeiros de entidades ligadas ou não ao governo.
Prêmio Instituído há 49 anos, o Prêmio Moinho Santista já homenageou mais de 130 personalidades nas áreas das artes, letras e ciências. Já o Prêmio Moinho Santista Juventude teve início em 1980 com o objetivo de incentivar jovens talentos de até 35 anos. Este ano, os prêmios tiveram como foco as Ciências Biológicas, Ecológicas e da Saúde. Além de Fonseca, Paulo Nogueira Neto, Francisco Mauro Salzano e Anamaria Aranha Camargo foram contemplados com medalhas de ouro e prata, diplomas em pergaminho e um prêmio em dinheiro.


